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Publicado há 7 dias · Tecnologia
A Amazon anunciou nesta segunda-feira (14) um acordo definitivo para adquirir a operadora de satélites Globalstar por aproximadamente US$ 11,57 bilhões. O negócio visa expandir a rede de satélites de órbita baixa (LEO) da empresa, conhecida como Amazon Leo, adicionando serviços de conectividade direta para dispositivos móveis (direct-to-device, ou D2D).
A aquisição traz para a Amazon a frota existente de satélites da Globalstar, sua infraestrutura terrestre, ativos operacionais e licenças de espectro para serviços móveis por satélite (MSS), com autorizações em nível global. A Globalstar é reconhecida como líder em MSS e pioneira em tecnologias D2D, o que fortalece as ambições espaciais da gigante do e-commerce.
O valor do acordo, reportado como US$ 11,57 bilhões pela Reuters e Wall Street Journal, varia ligeiramente para cerca de US$ 11,6 bilhões em outras fontes como a CNBC. A transação ainda depende de aprovações regulatórias e deve ser concluída após esses trâmites.
Em paralelo, Amazon e Apple firmaram uma parceria para integrar os serviços de satélite da Amazon Leo a dispositivos da maçã, como iPhone e Apple Watch. Isso inclui o Emergency SOS, recurso que permite chamadas de emergência via satélite em áreas sem cobertura celular, já disponível em modelos recentes da Apple.
A estratégia posiciona a Amazon para competir diretamente com a Starlink, da SpaceX de Elon Musk, que também avança em ambições para smartphones. A expansão da conectividade celular além das redes terrestres é o foco central, beneficiando usuários em regiões remotas, incluindo áreas rurais no Brasil, onde o acesso à internet ainda é limitado.
A Amazon planeja implantar seu próprio sistema D2D a partir de 2028, integrando a frota da Globalstar à constelação Leo. Essa rede de satélites de órbita baixa promete latência reduzida e cobertura global, similar ao que Starlink já oferece para banda larga, mas agora estendida a celulares comuns sem necessidade de hardware extra.
Para o mercado brasileiro, o movimento é relevante: com vastas áreas amazônicas e sertões sem sinal de operadoras como Vivo, Claro e TIM, serviços D2D poderiam revolucionar comunicações em emergências e agronegócio. A Anatel regula espectros MSS no país, e aprovações globais da Globalstar facilitam expansão local.
A Globalstar, fundada nos anos 1990, opera uma constelação de 48 satélites em órbita baixa e tem parcerias com gigantes de telecom. Sua tecnologia D2D permite que smartphones se conectem diretamente a satélites, sem antenas especiais, um diferencial em relação a soluções iniciais da Starlink.
Fontes como o site oficial da Amazon destacam que o acordo acelera o cronograma da Leo, com testes iniciais já em curso. A integração com Apple reforça a viabilidade comercial, já que o Emergency SOS provou eficácia em resgates nos EUA e Europa.
Analistas veem o negócio como resposta da Amazon à corrida espacial por conectividade universal. Enquanto SpaceX domina com milhares de satélites Starlink, a Amazon entra com foco em D2D para dispositivos existentes, potencializando bilhões de smartphones.
No Brasil, onde 20% da população vive em áreas subatendidas por redes terrestres segundo dados do IBGE, inovações como essa poderiam impulsionar a inclusão digital. A aquisição ainda abre portas para parcerias com teles locais, sob regulação da Anatel.
O anúncio ocorre em meio a investimentos bilionários em espaço: Amazon já destinou bilhões à Leo, competindo com projetos como Kuiper, sua iniciativa de banda larga por satélite. A Globalstar complementa isso com espectro MSS pronto para uso.
Aprovada, a fusão deve gerar sinergias em infraestrutura, reduzindo custos de lançamento e operação. Para investidores, as ações da Globalstar dispararam com a notícia, refletindo otimismo no setor.
Especialistas consultados por veículos como Axios e The Verge apontam que o ecossistema Apple-Amazon desafia o monopólio aspirado pela Starlink em serviços móveis via satélite.
O Timon Diário monitora os desdobramentos regulatórios, que envolverão FCC nos EUA e agências equivalentes globalmente, incluindo impactos no Brasil.
