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Publicado há cerca de 1 mês · Tecnologia
A Amazon anunciou a aquisição da operadora de satélites Globalstar por US$ 11,57 bilhões, em uma jogada estratégica para fortalecer sua rede de satélites de baixa órbita, chamada Amazon Leo, e desafiar diretamente o Starlink, da SpaceX de Elon Musk, no segmento de conectividade direta para smartphones.
A transação, divulgada nesta segunda-feira (14), permite à gigante do e-commerce adicionar serviços direct-to-device (D2D) à sua constelação de satélites, competindo com o modelo do Starlink que depende de parcerias com operadoras de telefonia.
Em paralelo, Amazon e Apple firmaram um acordo para que a rede Amazon Leo alimente serviços de satélite nos iPhones e Apple Watch. Isso mantém e expande recursos como o Emergency SOS via satélite, disponível em iPhone 14 ou modelos posteriores e no Apple Watch Ultra 3.
A Globalstar, que já fornece conectividade D2D direta para smartphones, detinha cerca de 20% de suas ações com a Apple, após um investimento de US$ 1,5 bilhão realizado em 2024. Com a aquisição, a Amazon ganha acesso imediato ao espectro de radiofrequência e à expertise operacional da empresa.
Os acionistas da Globalstar terão a opção de receber US$ 90 em dinheiro por ação ou 0,3210 ações da Amazon, conforme detalhado no anúncio oficial da companhia.
A Amazon planeja continuar operando as satélites existentes da Globalstar, incluindo novas unidades em construção pela MDA Space, no Canadá. Isso acelera o deployment de serviços D2D a partir de 2028, com uma rede projetada para milhares de satélites suportando centenas de milhões de dispositivos.
Para o público brasileiro, a novidade pode impactar o acesso a internet em áreas remotas da Amazônia e no Norte do país, onde serviços via satélite como o Starlink já operam, mas com custos elevados para usuários finais.
O fechamento do negócio está previsto para 2027, sujeito a aprovações regulatórias, incluindo da Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos, e ao cumprimento de marcos de lançamento dos satélites HIBLEO-4 pela Globalstar.
Segundo a Reuters, a parceria posiciona Amazon e Apple como rivais diretos das ambições do Starlink em conectar smartphones sem infraestrutura terrestre, um mercado em expansão com a demanda por cobertura global.
O Wall Street Journal destaca que a aquisição é parte de um push maior da Amazon no setor de conexões celulares via satélite, diversificando além do comércio eletrônico e computação em nuvem.
O The Verge enfatiza a união Apple-Amazon como um desafio às pretensões do Starlink de dominar serviços de smartphone via satélite, alterando o panorama competitivo no espaço.
Analistas apontam que o modelo D2D da Globalstar, agora sob controle da Amazon, oferece conexão direta sem necessidade de chips especiais em celulares comuns, ao contrário de abordagens concorrentes.
A 9to5Mac confirma que os serviços de satélite da Apple migrarão para a infraestrutura Amazon Leo, garantindo continuidade e expansão de funcionalidades de emergência.
Para o Brasil, onde a Anatel regula serviços satelitais, aprovações semelhantes podem ser necessárias se a tecnologia chegar ao mercado local, potencializando inclusão digital em regiões sem 4G ou 5G.
O anúncio ocorre em meio a uma corrida espacial comercial, com Amazon investindo bilhões para não ficar atrás de rivais como SpaceX, que já orbita milhares de satélites Starlink.
Especialistas consultados pela Bloomberg veem a transação como um marco, avaliada em US$ 11,6 bilhões em algumas estimativas, reforçando a posição da Amazon no ecossistema de dispositivos móveis.
