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Publicado há cerca de 3 horas · Tecnologia
O uso de inteligência artificial para criar imagens falsas de nudez, conhecidas como deepnudes, se espalha rapidamente por sites e aplicativos no Brasil e no mundo, com pouca ou nenhuma barreira de acesso para usuários comuns.
Ferramentas especializadas em alterar fotos para gerar conteúdo íntimo sintético operam de forma aberta em plataformas digitais, permitindo que qualquer pessoa com uma imagem de rosto gere montagens sem consentimento.
Um estudo do Instituto de Diálogos Estratégicos (ISD) mapeou 181 sites de ferramentas 'nudify' que receberam em média 40,1 milhões de visitantes únicos mensais entre dezembro de 2025 e março de 2026.
Antes de ações recentes de remoção, aplicativos disponíveis em lojas como Google Play e Apple App Store acumularam mais de 705 milhões de downloads globais, gerando receita estimada em US$ 117 milhões.
O Ministério da Justiça identificou 32 sites relacionados à prática no Brasil e encaminhou a lista à Polícia Federal e à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para providências.
Segundo o Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) da Polícia Civil de São Paulo, o uso de IA para deepnudes aparece associado a outros crimes como extorsão e ameaça.
A SaferNet Brasil mapeou, de agosto de 2025 a fevereiro de 2026, 17 casos em instituições de ensino com 222 vítimas mulheres, incluindo estudantes de 12 a 17 anos e professoras, praticados por 60 infratores homens da mesma faixa etária.
Autores de crimes com deepnudes no Brasil têm idades entre 12 e 21 anos e utilizam contas temporárias e perfis falsos em redes com pouca moderação, conforme dados do Noad.
O Noad estima que as imagens de nudez chegaram a 1.800 casos registrados desde novembro de 2024, com cerca de 80% dos alvos investigados usando IA em algum momento.
Juliana Cunha, da SaferNet Brasil, afirma que a barreira de acesso a ferramentas de IA para nudez é quase inexistente atualmente, diferentemente de 2023.
O Telegram afirma proibir distribuição de material de abuso sexual infantil e conteúdo íntimo não consensual, incluindo pornografia deepfake, e removeu 310.360 grupos e canais relacionados em 2026.
A ANPD monitora plataformas e pode abrir processos de fiscalização por infrações à LGPD, com exemplo de processo contra o X por uso do Grok para conteúdo sintético sexual.
A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o Google em abril de 2026 para remover das buscas sites que criam nudes falsos com IA.
O Google afirma trabalhar em proteções na busca, com ferramentas para solicitação de remoção e atualizações de ranqueamento para reduzir visibilidade de pornografia sintética.
Um relatório da Graphika indica crescimento explosivo de serviços de NCII sintético, com aumento de 2.408% no volume de links de referência em Reddit e X de 2022 para 2023.
Nos Estados Unidos, a TAKE IT DOWN Act, sancionada em maio de 2025, criminaliza a publicação de imagens íntimas não consensuais, incluindo deepfakes, e exige remoção por plataformas em até 48 horas.
