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Publicado há cerca de 1 mês
Um estudo americano revelou que dietas ricas em alimentos ultraprocessados podem comprometer a saúde dos músculos das coxas, aumentando o risco de osteoartrite no joelho. Publicado na revista Radiology e apresentado na RSNA 2026, o trabalho analisou imagens de ressonância magnética (MRI) de participantes e encontrou ligação direta entre o consumo desses alimentos e o acúmulo de gordura intramuscular.
Pesquisadores da Osteoarthritis Initiative examinaram 615 a 666 voluntários com idade média de 60 anos e índice de massa corporal (IMC) médio de 27, sem diagnóstico prévio de osteoartrite no joelho. Usando MRI T1-weighted das coxas, mediram a gordura intramuscular, que aparece como estrias de gordura entre e dentro das fibras musculares, semelhante a bifes bem marmorizados.
Cerca de 40% das calorias consumidas pelos participantes no último ano vinham de ultraprocessados, como cereais matinais, refeições congeladas, refrigerantes e lanches embalados. O estudo mostrou que quanto maior o percentual desses alimentos na dieta, maior o nível de gordura nos músculos das coxas, independentemente da ingestão calórica total, IMC, fatores sociodemográficos ou prática de exercícios físicos.
Esse acúmulo de gordura intramuscular reduz a qualidade e a força muscular nas coxas, bloqueando o crescimento e a regeneração das fibras musculares. Para brasileiros, isso é especialmente relevante, pois o consumo de ultraprocessados no Brasil ultrapassa 20% das calorias diárias em média, segundo dados do IBGE, contribuindo para problemas musculoesqueléticos em uma população envelhecida.
Um exemplo claro do estudo: uma mulher de 62 anos que obtinha 87% de suas calorias de ultraprocessados apresentava mais gordura 'marmorizada' nas coxas do que outra com apenas 29% de ultraprocessados na dieta. Essa gordura elevada é um fator de risco conhecido para o desenvolvimento de osteoartrite no joelho, condição que afeta milhões no mundo e no Brasil.
Os ultraprocessados são pobres em nutrientes essenciais para a saúde muscular, como vitaminas, minerais, proteínas de alta qualidade e ômega-3. Em contraste, alimentos in natura ou minimamente processados fornecem esses elementos que protegem os músculos. A associação foi observada mesmo controlando variáveis como atividade física, destacando o impacto direto da composição dietética.
O estudo, com DOI 10.1148/radiol.251129, é observacional e não prova causalidade direta. Seus participantes estavam em risco de osteoartrite devido a sobrepeso ou obesidade, o que pode limitar a generalização para populações saudáveis. Além disso, os dados de dieta foram auto-reportados, sem testes de intervenção alimentar.
Cobertura da NBC News enfatizou que 'alimentos ultraprocessados podem prejudicar a saúde muscular', enquanto a CNN comparou as coxas afetadas a 'bifes bem marmorizados'. A RSNA, promotora do congresso, destacou o impacto na qualidade muscular. No Brasil, onde a osteoartrite é prevalente em idosos, esses achados reforçam alertas do Ministério da Saúde sobre ultraprocessados.
Especialistas consultados pelas fontes americanas recomendam reduzir ultraprocessados para preservar a massa muscular magra, especialmente após os 50 anos. No contexto brasileiro, com alta prevalência de sedentarismo e dietas industrializadas, o estudo sugere priorizar frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas frescas para mitigar riscos musculares e articulares.
A gordura intramuscular detectada por MRI compromete não só a força, mas também a mobilidade, aumentando quedas e incapacidade em idosos. Para leitores do Timon Diário, no Maranhão, onde o envelhecimento populacional avança, evitar lanches embalados e refrigerantes pode ser uma estratégia acessível e barata contra esses problemas.
O achado independe de IMC, o que surpreende, pois sugere que mesmo pessoas normais ou magras podem sofrer danos musculares com dietas ruins. Isso desafia a ideia de que só calorias importam, focando na qualidade alimentar.
Apresentado na RSNA 2026, o estudo ganha credibilidade pela amostra robusta e metodologia de imagem precisa. Futuras pesquisas interventivas poderão testar se cortar ultraprocessados reverte a gordura muscular.
No Brasil, a Anvisa classifica ultraprocessados como aqueles com aditivos químicos excessivos, e campanhas como o Guia Alimentar para a População Brasileira já orientam contra eles. Esse estudo internacional valida essas recomendações com evidências científicas recentes.
Embora cauteloso quanto à causalidade, o trabalho alerta para um problema silencioso: músculos 'marmorizados' que enfraquecem coxas e joelhos. Para prevenir osteoartrite, especialistas sugerem dietas ricas em alimentos frescos, combinadas a exercícios de fortalecimento.
