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Publicado há cerca de 18 horas · Mundo
Um palestino e um israelense, ambos enlutados pela violência no conflito israelense-palestino, transformaram sua dor pessoal em uma cruzada pela paz no Oriente Médio. Aziz Abu Sarah e Maoz Inon, coautores do livro 'The Future Is Peace: A Shared Journey Across the Holy Land', lançado em abril de 2026, relatam em detalhes sua jornada conjunta pela reconciliação, visitando locais simbólicos como o kibutz Netiv HaAsara e Jaffa.
Aziz Abu Sarah, ativista palestino, perdeu seu irmão Tayseer, de 19 anos, em 1990, durante a Primeira Intifada. Tayseer foi preso e morreu em decorrência de maus-tratos por forças israelenses, um trauma que marcou profundamente a vida de Abu Sarah. Anos depois, ele canalizou essa perda para o ativismo pela paz, fundando agências de turismo como a MEJDI Tours, que promoviam educação e coexistência entre israelenses e palestinos.
Maoz Inon, ativista israelense, enfrentou tragédia similar em 7 de outubro de 2023, quando seus pais, Bilha e Yakovi Inon, foram assassinados por militantes do Hamas no kibutz Netiv HaAsara, comunidade próxima à Faixa de Gaza. Inon, que antes gerenciava agências como Jesus Trail, também dedicou-se ao turismo educativo para fomentar entendimento mútuo na região.
A amizade entre os dois remonta a cerca de uma década, mas ganhou novo fôlego logo após o ataque de 7 de outubro. Abu Sarah contatou Inon para oferecer condolências, um gesto que fortaleceu laços já existentes. 'Perdi meus pais em 7 de outubro, mas ganhei um irmão', descreve Inon sobre Abu Sarah, destacando a profundidade de sua relação atual.
Juntos, eles são co-CEOs da InterAct International, organização sem fins lucrativos focada na promoção da paz no Oriente Médio. A entidade trabalha para conectar famílias enlutadas de ambos os lados do conflito, inspirando diálogos e ações concretas pela reconciliação.
Os ativistas também integram o Parents Circle – Families Forum, rede de palestinos e israelenses que perderam parentes na violência e se unem pela paz. Essa participação reforça seu compromisso com uma visão compartilhada de futuro, baseada no perdão em vez da vingança.
No livro 'The Future Is Peace', lançado recentemente e reseñado pelo The New York Times, os autores narram viagens pela Terra Santa, discutindo passado traumático, realidades presentes e um futuro imaginado de convivência pacífica. O volume enfatiza locais como o kibutz de Inon, palco do assassinato de seus pais, e Jaffa, símbolo de diversidade cultural.
Abu Sarah e Inon ganharam visibilidade internacional com encontros de alto perfil. Em maio de 2024, reuniram-se com o Papa Francisco em Verona, Itália, recebendo apoio público à sua mensagem de paz. Em 2025, visitaram o Papa Leo XIV no Vaticano, ampliando o alcance de sua causa.
Em janeiro de 2026, os dois carregaram a tocha olímpica na Itália, às vésperas dos Jogos de Inverno, em um gesto simbólico de unidade que ecoou globalmente. O evento destacou sua capacidade de transcender divisões nacionais e religiosas.
Realizam turnês de palestras nos Estados Unidos e outros países, promovendo reconciliação. Participaram de TED Talks, onde debateram a escolha pela paz sobre a vingança após perdas pessoais, inspirando audiências com testemunhos autênticos.
Para leitores brasileiros, a trajetória de Abu Sarah e Inon ressoa com lições de superação em contextos de conflito prolongado, similar a desafios regionais na América Latina. Seu modelo de diálogo entre vítimas de lados opostos oferece esperança em tempos de polarização global.
A NPR destacou a parceria em reportagem de abril de 2026, intitulada 'An Israeli and a Palestinian work together for Mideast peace', enfatizando o livro como marco de sua jornada compartilhada. O NYT, em resenha, descreveu a obra como 'uma turnê pela Terra Santa' que humaniza o conflito.
A InterAct International e o Parents Circle endossam o livro em seus sites oficiais, posicionando-o como ferramenta para educação sobre paz. A obra está disponível para compra e já circula em palestras conjuntas.
Essa colaboração ganha relevância em 2026, ano marcado por tensões persistentes na região, mas também por iniciativas como a de Abu Sarah e Inon, que priorizam empatia e ação coletiva. Seu exemplo ilustra que a paz pode emergir da adversidade mais profunda.
O lançamento do livro representa não apenas uma narrativa pessoal, mas um chamado global à reconciliação, provando que laços humanos podem superar barreiras políticas e históricas.
