Matéria
Publicado há cerca de 1 mês · Mundo
Manama, Bahrein – A morte de Sayed Mohamed Almosawi, um bahreinita de 32 anos, em custódia policial reacendeu críticas globais contra o regime de Bahrein, em um momento de escalada de tensões regionais devido à guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Almosawi foi detido em 19 de março de 2026 por agentes da Agência Nacional de Inteligência do país, em um posto de controle próximo a Southern Hamad Town, junto com amigos.
A família perdeu contato com ele por mais de uma semana, até ser convocada em 27 de março para recolher o corpo no Hospital de Defesa de Bahrein. O cadáver apresentava sinais visíveis de tortura, como hematomas, feridas profundas e descoloração na face, torso e pés, conforme relatado por familiares e testemunhas à Human Rights Watch (HRW).
O governo bahreinita acusa Almosawi de espionagem, alegando que ele transmitia informações aos Guardas Revolucionários do Irã sobre alvos estratégicos no reino. O Ministério do Interior oficializou a causa da morte como parada cardiopulmonar e síndrome coronariana aguda, negando qualquer tortura e qualificando fotos das lesões, que circularam nas redes sociais, como 'imprecisas e enganosas'.
Autoridades anunciaram uma investigação pela Unidade Especial de Investigação da Promotoria Pública sobre as circunstâncias da morte e das lesões. No entanto, organizações de direitos humanos questionam a imparcialidade do processo, destacando o histórico de abusos em prisões bahrenitas.
A HRW e o Bahrain Institute for Rights and Democracy (BIRD) documentaram pelo menos 286 detenções desde o início da guerra até 10 de abril de 2026, em um contexto de repressão ampliada contra manifestantes e suspeitos de laços com o Irã. 'A morte de Almosawi exige uma investigação imparcial e independente', cobrou a HRW em comunicado oficial.
O New York Times relatou que a ONU também pediu apuração urgente sobre o caso, em meio à 'crackdown' (repressão) intensificada pelo Bahrein durante o conflito regional.
Especialistas independentes descartaram morte cardíaca acidental, apontando lesões compatíveis com trauma por força contundente repetida, segundo o Middle East Eye e The New Arab.
O Bahrein, um pequeno reino insular no Golfo Pérsico aliado aos EUA – que mantêm sua Quinta Frota na capital Manama –, vive tensões sectárias entre a monarquia sunita e a maioria xiita da população, o que contextualiza casos como este para observadores brasileiros interessados em relações energéticas no Oriente Médio.
A família de Almosawi e ativistas descrevem-no como um cidadão comum, sem histórico militante conhecido, preso em rotina de controle de tráfego. A discrepância entre a versão oficial e as evidências visuais gerou indignação nas redes e chamadas por justiça.
O BIRD enfatizou que a investigação governamental em curso carece de credibilidade, dada a ausência de transparência em casos anteriores de mortes em custódia.
Para o Brasil, que importa petróleo do Golfo e mantém laços diplomáticos com países árabes, o episódio reforça preocupações com direitos humanos em nações estratégicas para o comércio global de energia.
Variações no nome do detento – Sayed Mohamed Almosawi, Mohamed al-Mosawi ou Mohammed al-Mousawi – aparecem em reportagens, mas os fatos centrais coincidem nas fontes consultadas.
O caso ganha relevância internacional em um momento em que o Bahrein nega repressão específica contra xiitas, apesar de relatórios contrários de ONGs.
Enquanto a guerra EUA-Israel-Irã prossegue, mortes como esta expõem fragilidades em regimes aliados ao Ocidente, pressionando por accountability global.
