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Publicado há cerca de 7 horas · Mundo
Budapeste – Os húngaros vão às urnas neste domingo (12) para eleger 199 deputados da Assembleia Nacional, em um pleito que pode encerrar 16 anos de domínio do primeiro-ministro nacionalista Viktor Orbán. Aliado de Donald Trump e Vladimir Putin, Orbán busca um quinto mandato consecutivo pelo partido Fidesz, mas enfrenta o maior desafio de sua carreira: o ex-aliado Péter Magyar, líder do partido de centro-direita Tisza.
Pesquisas de opinião independentes indicam que o Tisza lidera o Fidesz com margens de 10 a 20 pontos entre eleitores decididos, segundo reportagens da Reuters e da BBC. Fatores como estagnação econômica, aumento do custo de vida e denúncias de corrupção envolvendo oligarcas próximos ao governo têm erodido a popularidade de Orbán.
Comício de Viktor Orbán em campanha eleitoral na Hungria (Reuters/Leonhard Foeger)
Péter Magyar, de 45 anos e ex-membro do Fidesz, promete combater a corrupção, liberar bilhões de euros em fundos congelados pela União Europeia, taxar os mais ricos e reformar o sistema de saúde húngaro. Ele também defende o distanciamento da Hungria da Rússia, alertando para o risco de o país se tornar um 'fantoche russo', conforme destacado pela Agência Brasil.
A eleição ocorre em um sistema eleitoral que favorece o incumbente, com distritos gerrymandered e exigindo que a oposição conquiste uma margem de 4% a 6% nos votos para obter maioria parlamentar, de acordo com análises da Folha de S.Paulo e do Público. Há ainda um alto número de eleitores indecisos e votos de húngaros étnicos no exterior, que tendem a apoiar majoritariamente o Fidesz.
Viktor Orbán em ato de campanha pelo Fidesz às vésperas das eleições húngaras (Reuters)
Pesquisas pró-governo mostram o Fidesz à frente ou em empate, o que adiciona incerteza ao resultado final. A Hungria, com cerca de 9,6 milhões de habitantes, vive um momento de tensão política que desperta atenção internacional.
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A votação é observada de perto pela União Europeia, pelos Estados Unidos e pela Rússia devido aos impactos em alianças europeias, na Otan e nas relações com a Ucrânia. Gregoire Roos, diretor de Programas para Europa, Rússia e Eurásia da Chatham House, descreveu a Hungria como um 'laboratório de política soberanista' para os EUA e um interlocutor chave para Moscou na UE, em entrevista à Reuters.
Orbán, que assumiu o poder em 2010, é criticado por testar os limites da democracia, com mudanças constitucionais e controle sobre a mídia, como reportado pela Folha de S.Paulo. Seu governo manteve laços energéticos com a Rússia e adotou o tom mais duro contra a Ucrânia entre os membros da UE.

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Magyar, que rompeu com Orbán após escândalos de corrupção, ganhou projeção com protestos e uma campanha que mobilizou jovens e descontentes. A NPR destaca que esta é a ameaça mais forte ao premier em anos.
O primeiro-ministro da República Tcheca manifestou apoio a Orbán, sinalizando divisões na Europa Central. O resultado definirá o futuro político da Hungria e pode reconfigurar sua posição no bloco europeu.

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Se o Tisza vencer, espera-se uma reaproximação com Bruxelas, liberando fundos bloqueados por violações ao Estado de direito. Orbán acusa a UE de interferência, mas analistas veem na eleição uma chance de mudança.

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A Assembleia Nacional eleita escolherá o primeiro-ministro nos próximos dias. Com 106 distritos uninominais e 93 vagas proporcionais, o sistema híbrido complica projeções.
Manifestações recentes contra Orbán, incluindo paradas LGBTQ+ reprimidas, refletem o descontentamento social. A Comissão Europeia pressionou por liberdades civis.
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Especialistas alertam que, mesmo com liderança nas pesquisas, a oposição precisa de uma vitória expressiva para superar as vantagens institucionais do Fidesz.
O pleito de 2026 marca um divisor de águas: manutenção do 'modelo iliberal' de Orbán ou virada para um centro-direita pró-europeu com Magyar.
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Independentemente do resultado, as eleições húngaras influenciarão o tabuleiro geopolítico europeu em um ano de tensões globais.
