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Publicado há cerca de 1 mês · Mundo
Os Estados Unidos estão negociando um novo acordo nuclear com o Irã que, segundo analistas, visa principalmente 'comprar tempo' para evitar uma escalada imediata, repetindo uma estratégia adotada em deals anteriores como o JCPOA (Plano de Ação Conjunto Global), de 2015. A proposta americana inclui uma suspensão de 20 anos de toda atividade nuclear iraniana, mas as conversas recentes em Islamabad, no Paquistão, terminaram sem consenso, endurecendo o impasse após duas décadas de tentativas frustradas.
O vice-presidente americano JD Vance liderou 21 horas de negociações intensas na capital paquistanesa no último fim de semana, com mediadores como Paquistão e Omã facilitando o diálogo. Apesar dos esforços, o Irã rejeitou os termos propostos pelos EUA, acusando Washington de tentar 'ditar' condições em vez de negociar de boa-fé. Do lado americano, a oferta é descrita como 'final', com exigências claras para que Teerã abandone permanentemente qualquer aspiração a armas nucleares e desmantele ferramentas para desenvolvê-las rapidamente.
O presidente Donald Trump, que vê o acordo como uma forma de ganhar tempo similar aos pactos passados, insistiu publicamente que o Irã busca um 'acordo de paz', mas sem 'armas nucleares'. As negociações fazem parte de uma série de rodadas iniciadas em 2025, em meio a um contexto de tensão elevada, incluindo um bloqueio americano no Estreito de Ormuz e um cessar-fogo frágil na guerra entre os dois países.
As principais divergências giram em torno do enriquecimento de urânio. Os EUA demandam um banimento permanente dessa atividade, enquanto o Irã defende seu direito sob o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), do qual é signatário. Sem confirmação oficial de Teerã sobre a aceitação da suspensão de 20 anos, o standoff nuclear se aprofunda, com risco de novas sanções ou escaladas militares.
Para leitores brasileiros, o impacto é indireto, mas relevante: o Estreito de Ormuz responde por cerca de 20% do petróleo mundial, incluindo exportações para o Brasil via rotas atlânticas. Qualquer interrupção afeta preços globais de combustíveis, pressionando a inflação e a balança comercial brasileira, dependente de importações de energia.
O New York Times relatou que a estratégia americana ecoa o JCPOA, criticado por Trump em seu primeiro mandato por ser temporário e não eliminar a ameaça iraniana. 'É mais um adiamento do inevitável', comentou um analista no Financial Times, destacando o histórico de falhas em acordos com Teerã.
A CNN descreveu as negociações em Islamabad como um 'gamble' de Trump, questionando se elas podem levar à paz duradoura. O vice-presidente Vance, em declarações pós-reunião, afirmou que 'a bola está com o Irã', enquanto fontes iranianas, via BBC, chamaram as demandas de 'excessivas e humilhantes'.
A timeline das negociações, compilada pelo New York Times, mostra avanços iniciais em 2025 com Omã como mediador, mas retrocessos recentes devido ao bloqueio no Ormuz, imposto pelos EUA em resposta a ações iranianas. A Xinhua chinesa confirmou a falta de acordo, reforçando a narrativa de impasse.
A Wikipedia registra as tratativas de 2025-2026 como as mais intensas desde a saída americana do JCPOA em 2018. Trump, em vídeo da Al Jazeera, reiterou: 'Irã quer paz, mas sem nukes'. Especialistas alertam que, sem concessões, o risco de proliferação nuclear no Oriente Médio aumenta.
O Irã, por sua vez, acusa os EUA de violar o espírito do TNP ao impor restrições unilaterais. Analistas do New York Times apontam que a proposta de 20 anos é um compromisso tático, mas insuficiente para desmantelar a infraestrutura nuclear iraniana a longo prazo.
No Brasil, o Itamaraty acompanha de perto, pois instabilidade no Golfo Pérsico afeta o mercado de óleo e gás. Em 2025, o país importou volumes recordes de derivados, e picos de preço no Ormuz já elevaram a gasolina em 15% no ano passado, segundo dados da ANP.
As negociações continuam em canais indiretos, com Paquistão propondo nova rodada. Trump aposta em pressão máxima para forçar concessões, mas o histórico sugere que 'comprar tempo' pode adiar, não resolver, o problema nuclear iraniano.
Fontes americanas insistem que a oferta é a 'melhor e última', enquanto Teerã prepara contraofertas. O mundo observa, pois falha no diálogo pode reacender conflitos regionais com ecos globais.
Em resumo, o fato central permanece: sem acordo em Islamabad, o 'buying time' americano enfrenta resistências iranianas, perpetuando um ciclo de desconfiança nuclear.
