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Publicado há cerca de 1 mês · Mundo
O governo da Colômbia anunciou nesta segunda-feira (14) a autorização de um protocolo oficial para a eutanásia de cerca de 80 hipopótamos descendentes dos animais importados ilegalmente pelo narcotraficante Pablo Escobar na década de 1980. A medida visa controlar a população selvagem desses mamíferos, declarados espécie exótica invasora em 2022, que representa risco para os ecossistemas locais.
A ministra do Meio Ambiente, Irene Vélez, confirmou o plano durante pronunciamento oficial. Segundo ela, as tentativas anteriores de esterilização e castração química se mostraram ineficazes, caras e arriscadas, justificando a adoção da eutanásia como solução prioritária.
Os hipopótamos foram trazidos por Escobar para sua Hacienda Nápoles, no departamento de Antioquia. Após a morte do traficante em 1993, os animais escaparam e se reproduziram na bacia do rio Magdalena, formando uma população estimada em pelo menos 169 indivíduos, conforme censo de 2022 realizado pelo governo colombiano.
Projeções indicam que, sem intervenção, o número pode ultrapassar 500 até 2030. A espécie consome vegetação nativa em grandes quantidades, altera a paisagem com suas pisadas e excrementos, contaminando fontes de água e afetando espécies endêmicas como o peixe-boi e a tartaruga de rio.
"Esses hipopótamos representam uma ameaça real para a biodiversidade colombiana", afirmou Vélez, destacando os impactos ecológicos documentados em estudos oficiais. Os animais também oferecem risco para comunidades humanas devido à sua agressividade.
O plano prevê o início das ações no segundo semestre de 2026, com meta anual de redução de pelo menos 33 indivíduos. O orçamento alocado chega a 7.200 milhões de pesos colombianos, equivalente a cerca de US$ 1,7 a 2 milhões.
Métodos de eutanásia priorizarão opções químicas ou físicas para minimizar o sofrimento animal, com a caça reservada como último recurso. A decisão foi tomada após países estrangeiros rejeitarem a translocação dos hipopótamos devido a mutações genéticas e problemas de endogamia, resultantes da origem em apenas quatro indivíduos importados.
A Hacienda Nápoles, outrora símbolo do império de Escobar, hoje é um parque temático, mas os hipopótamos remanescentes se dispersaram por rios e lagos próximos, complicando o controle populacional.
Especialistas em biologia invasora, citados pela Associated Press, reforçam que a eutanásia é a medida mais viável após anos de monitoramento. A BBC Mundo relatou que o governo colombiano trabalhou em conjunto com veterinários e ambientalistas para elaborar o protocolo.
O G1 destacou que a população cresceu exponencialmente desde os anos 1990, ocupando áreas que antes eram exclusivas de fauna nativa. A Folha de S.Paulo apontou as mutações genéticas como fator decisivo para o fracasso das negociações internacionais de realocação.
The Guardian descreveu o anúncio como um marco na gestão de espécies invasoras ligadas ao legado de Escobar, que importou os hipopótamos como status symbol em meio ao auge do Cartel de Medellín.
Autoridades colombianas enfatizam que o plano segue normas éticas e legais, com supervisão de comitês científicos. A ministra Vélez garantiu transparência no processo, com relatórios periódicos à sociedade.
A decisão gerou debates entre ambientalistas, mas o consenso científico aponta para a necessidade urgente de ação. Sem controle, os hipopótamos poderiam expandir para outros rios, ampliando os danos ecológicos.
O governo planeja campanhas educativas para explicar a medida à população local, que convive com os animais há décadas. Pescadores e ribeirinhos já registraram conflitos, como ataques a barcos.
Essa é a primeira vez que a Colômbia adota um protocolo oficial de eutanásia em larga escala para hipopótamos de Escobar, marcando o fim de uma saga ambiental iniciada pelo barão da droga.
O monitoramento continuará pós-implementação, com ajustes baseados em resultados iniciais. A expectativa é estabilizar a população e restaurar o equilíbrio nos ecossistemas afetados.
