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Publicado há cerca de 1 mês · Mundo
Dubai — A guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, iniciada no final de fevereiro de 2026, está resfriando a economia da cidade-estado dos Emirados Árabes Unidos, com os trabalhadores migrantes — maioria da força de trabalho — sofrendo as piores consequências da crise.
O conflito explodiu quando o Irã lançou mais de 2.500 drones e mísseis em retaliação a ataques de EUA e Israel, atingindo diretamente infraestrutura chave em Dubai, como hotéis, o aeroporto internacional e o porto de Jebel Ali, o maior terminal de contêineres do Oriente Médio.
Destroços de mísseis interceptados provocaram incêndios no porto de Jebel Ali, paralisando o comércio e suspendendo pela primeira vez os mercados de ações de Dubai e Abu Dhabi, conforme reportado pela Reuters.
No setor de hospitalidade, epicentro do turismo que sustenta a cidade, a queda no movimento chega a 70% a 80% em estabelecimentos dependentes de visitantes estrangeiros, segundo a BBC.
Hotéis de cinco estrelas, outrora lotados, permanecem majoritariamente vazios. Grandes eventos como feiras de arte e de livros foram adiados indefinidamente, ampliando o impacto econômico.
Expatriados ricos fugiram de Dubai em massa, enquanto turistas cancelaram viagens por medo dos ataques, transformando o antigo 'porto seguro' em zona de risco, como destacou a Reuters em março de 2026.
Bairros como Satwa, conhecidos por abrigar comunidades de trabalhadores migrantes da Ásia e África, foram particularmente afetados. Esses imigrantes, que não têm meios para escapar como os abastados, enfrentam demissões em massa, cortes salariais e licenças não remuneradas.
"A guerra está esfriando a economia, e os mais vulneráveis de Dubai arcam com o custo", resume reportagem do The New York Times publicada nesta segunda-feira (14), focando nas conversas com migrantes em meio à crise.
Trabaladores do Golfo, muitos deles brasileiros ou de países em desenvolvimento, relatam dificuldades para enviar remessas aos familiares em casa. As transferências foram reduzidas drasticamente pela desaceleração econômica, conforme análise da Al Jazeera.
Para o Brasil, o impacto é indireto, mas relevante: milhares de trabalhadores brasileiros nos Emirados dependem desses empregos em construção, serviços e hospitalidade, setores agora em recessão iminente.
O Financial Times e o The New York Review of Books também abordam o dilema dos Emirados, descritos como "em corda bamba" pelo conflito regional.
Os Estados Unidos, sob Donald Trump, intensificaram ações contra o Irã, com os pobres do mundo — incluindo migrantes em Dubai — pagando a conta mais alta, opina The Guardian.
Enquanto isso, negócios no Golfo reelam com as paralisações causadas pelos ataques iranianos, segundo outra reportagem da Reuters de 1º de março.
A duração prolongada do conflito, agora em seu segundo mês, ameaça uma recessão na região, com economias do Golfo sofrendo o grosso dos danos, alerta a Al Jazeera.
Os Emirados Árabes buscam forçar a abertura do Estreito de Ormuz, vital para o petróleo, e sinalizam disposição para se juntar a coalizões militares, conforme o Wall Street Journal.
Autoridades locais não divulgaram números exatos de afetados, mas fontes como o NYT enfatizam a precariedade dos migrantes, presos sem alternativas viáveis de trabalho ou fuga.
