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Publicado há cerca de 8 horas · Economia
Uma investigação interna do Banco Central (BC) concluiu que Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, simulou dois contratos no valor total de R$ 4 milhões com a Varajo Consultoria para ocultar propina proveniente do Banco Master. O caso foi detalhado em um relatório de sindicância patrimonial divulgado em 4 de março de 2026.
Santana ocupou o cargo de chefe do Departamento de Supervisão Bancária entre 2019 e janeiro de 2026, período que abrange grande parte da administração de Roberto Campos Neto. Nesse intervalo, o BC era responsável pela fiscalização de instituições financeiras, incluindo o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.
Os contratos simulados foram firmados com Leonardo Palhares, operador financeiro apontado pela Polícia Federal (PF) como ligado a Vorcaro. Um deles, no valor de R$ 2 milhões, referia-se a um suposto estudo de 50 páginas sobre educação financeira, considerado pela investigação sem produção autoral relevante e incompatível com o montante pago.
O relatório da sindicância patrimonial do BC identificou indícios de propina e corrupção ativa, recomendando a abertura de processo administrativo disciplinar (PAD) contra Santana na Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação apontou conflito de interesses, pois Santana supervisionava o Banco Master enquanto recebia os pagamentos simulados.
Em decorrência das apurações, Belline Santana foi afastado do Banco Central, com proibição de acesso às dependências do órgão e imposição de monitoramento eletrônico pela PF. A medida visa preservar a integridade das investigações em curso.
A CGU já abriu processos administrativos contra Santana, que podem resultar em sua expulsão do serviço público, além de outras sanções. A Controladoria confirmou a instauração de PADs para apurar as irregularidades apontadas pelo BC.
A defesa de Belline Santana nega qualquer irregularidade e afirma que os contratos referem-se a serviços legítimos prestados. Da mesma forma, a defesa de Paulo Sérgio Neves de Souza contesta as acusações, alegando prestação de consultoria válida.
Não há, até o momento, confirmação oficial de condenação. Os casos seguem sob investigação da PF, do BC e da CGU, com possibilidade de desdobramentos judiciais. O Banco Central não se pronunciou detalhadamente sobre o relatório para preservar as apurações.