Matéria
Publicado há 24 dias · Mundo
Investigadores dos Estados Unidos estão sondando se hackers iranianos estão por trás de atividade cibernética maliciosa recente que atingiu sistemas de água em sete estados, incluindo Minnesota. A apuração preliminar aponta indícios de autoria ligada ao Irã, embora a atribuição ainda não seja definitiva e a investigação siga em andamento.
O ataque em Minnesota afetou cerca de 36 sistemas municipais de água, resultando em perda temporária de monitoramento e controle, mas sem evidências de contaminação da água potável ou interrupção prolongada do fornecimento. Autoridades estaduais relataram que alguns municípios precisaram recorrer a operações manuais para manter os serviços.
Agências federais como EPA, FBI, CISA e NSA emitiram alerta conjunto em abril de 2026 sobre ameaças cibernéticas iranianas a sistemas de água e infraestrutura crítica. O comunicado reforça a necessidade de proteções adicionais contra atores afiliados à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).
O grupo CyberAv3ngers, afiliado à IRGC, explorou controladores lógicos programáveis (PLCs) em sistemas de água e esgoto nos EUA e Israel entre 2023 e 2024. Em incidentes anteriores, os hackers exibiram mensagens como 'You have been hacked, down with Israel' após comprometer dispositivos com senhas padrão.
Em 2023, hackers do CyberAv3ngers conseguiram desligar equipamentos de bombeamento de água em Aliquippa, Pensilvânia. O padrão de exploração de PLCs de fabricantes israelenses, como os da Unitronics, reaparece nos ataques recentes, segundo análises de especialistas.
Entre 2011 e 2013, sete iranianos ligados a entidades do governo iraniano e da IRGC foram indiciados por ataques DDoS contra 46 instituições financeiras dos EUA, desabilitando sites de bancos e gerando prejuízos de dezenas de milhões de dólares.
Em 2013, hackers iranianos acessaram o sistema de controle da Bowman Avenue Dam em Rye, Nova York, visualizando informações operacionais, embora a comporta estivesse em manutenção na época. O caso integrou o mesmo indiciamento dos ataques bancários.
Em 2014, hackers iranianos apagaram discos rígidos da Las Vegas Sands, danificaram a rede corporativa, vandalizaram sites de hotéis e roubaram dados pessoais de dezenas de milhares de clientes. O então diretor de Inteligência Nacional James Clapper atribuiu publicamente o ataque ao Irã.
Entre 2016 e 2021, atores iranianos visaram o Departamento de Estado, o Tesouro e contratados de defesa dos EUA, além de uma firma de contabilidade e empresa de hospitalidade. Quatro iranianos foram indiciados em 2024 por essa campanha de vários anos.
De 2017 a 2024, atores associados ao governo iraniano, como o grupo Pioneer Kitten, comprometeram escolas, governos municipais, saúde e finanças, transferindo acessos para afiliados de ransomware. Embora nem todos os casos sejam diretamente sancionados pelo governo, os alvos alinhavam-se a interesses iranianos.
Em 2024, três iranianos da IRGC foram indiciados por operação de hack-and-leak visando contas de oficiais, mídia e campanhas presidenciais, incluindo a de Donald Trump. O objetivo declarado era semear discórdia e minar a confiança no processo eleitoral.
Em 2026, o grupo Handala, ligado ao Irã, assumiu responsabilidade por ataque à empresa de tecnologia médica Stryker. No mesmo ano, hackers ligados ao Irã acessaram o e-mail pessoal do diretor do FBI Kash Patel.
Autoridades dos EUA enfatizam que a atribuição ao Irã nos ataques recentes a sistemas de água é preliminar, baseada em tradecraft e ausência de pedido de resgate. Possibilidade de falsificação de origem (false flag) é mencionada, embora considerada improvável por ex-oficiais de inteligência. O Irã nega consistentemente qualquer envolvimento em ciberataques.
O impacto limitado nos sistemas de água recentes — sem contaminação ou interrupção prolongada — contrasta com o potencial disruptivo de ataques a infraestrutura crítica. Especialistas alertam para a vulnerabilidade de sistemas antigos e subfinanciados nos EUA.
