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Publicado há cerca de 1 mês · Mundo
Ricky Cobb, ex-professor de sociologia em uma faculdade comunitária de Illinois, nos Estados Unidos, transformou sua paixão pela nostalgia dos anos 1970 em um mini-império digital. Através da conta @Super70sSports no X (antigo Twitter), ele acumula quase 800 mil seguidores com postagens que celebram os excessos e perigos daquela década, como carros sem cinto de segurança obrigatório e atletas profissionais fumando nas laterais dos campos de esporte.
O fenômeno foi destaque em reportagem do The New York Times publicada nesta segunda-feira (14), intitulada 'Remembering Cars Without Seatbelts and Athletes Who Smoked'. Cobb evoca memórias de uma era americana menos regulada, onde a vida parecia mais livre, mas repleta de riscos que hoje soam absurdos para o público brasileiro e global acostumado a normas de segurança rigorosas.
Seus posts viralizam ao mostrar veículos clássicos sem cintos de segurança, destacando o 'encanto perigoso' dessa ausência de proteção. Cobb compartilha imagens de muscle cars e sedãs populares da época, como Mustangs e Chargers, navegando ruas sem as amarras que se tornaram obrigatórias após campanhas globais de segurança veicular a partir dos anos 1980.
Outro tema recorrente são fotos de atletas de elite fumando cigarros durante intervalos de jogos. Jogadores de beisebol e futebol americano aparecem relaxados com maços à mão, refletindo uma cultura esportiva onde o tabagismo era comum antes das proibições modernas impostas por ligas como a NFL e a MLB.
Cobb, que abandonou o magistério para se dedicar integralmente ao perfil, inspira-se em Kelly Leak, o rebelde de 'The Bad News Bears' (no Brasil, 'As Meninas Invencíveis'), filme de 1976 que personifica o espírito inconformista dos anos 70. Seus seguidores, majoritariamente homens, celebram essa nostalgia de uma América menos 'politicamente correta', com menos intervenções estatais na vida cotidiana.
Além de carros e cigarros, o influenciador posta sobre equipamentos de playground perigosos, como escorregadores de metal sem amortecedores e balanços sem redes de proteção, comuns em escolas americanas da década. Esses conteúdos ressoam com brasileiros que lembram brinquedos semelhantes em praças públicas antes das normas do Inmetro ganharem força nos anos 1990.
Cortes de cabelo extravagantes da era disco e estacionamentos lotados de lojas como Kmart também ganham espaço no feed. Cobb evoca rituais como ler as páginas de esportes nos jornais dominicais impressos e programas de TV como 'Battle of the Network Stars', competições leves entre astros de séries americanas exibidas no Brasil pela Globo nos anos 1980.
Em 2023, seu sucesso transcendeu as redes: Cobb colaborou com o apresentador Jimmy Kimmel no programa 'Super Maximum Retro Show', exibido pela Vice TV. A parceria reforçou sua marca, misturando humor ácido com fatos históricos sobre a cultura pop setentista.
Para o público brasileiro, o fenômeno de Cobb destaca paralelos com nossa própria nostalgia dos anos 1970, marcada pelo Fusca sem air bag, ditadura militar e futebol sem VAR, mas sem o mesmo foco em absurdos perigosos. Seus posts, no entanto, alertam indiretamente para avanços em segurança que salvam vidas, como o cinto de segurança obrigatório no Brasil desde 1995 pela Lei 10.255.
Com quase 800 mil seguidores no X, Cobb monetiza sua influência via parcerias e produtos temáticos, construindo um negócio que o New York Times descreve como 'mini-império'. Sua abordagem irreverente atrai quem sente falta de uma era sem 'excesso de regras', mas ignora os custos humanos de acidentes e doenças evitáveis hoje.
Críticos apontam que a romantização de perigos como fumo e direção sem cinto pode minimizar conquistas regulatórias. Nos EUA, leis como a de 1966 para segurança veicular e proibições antitabaco nas décadas seguintes reduziram mortes em rodovias em 50% e câncer de pulmão em atletas em queda acentuada.
No Brasil, onde acidentes de trânsito matam cerca de 30 mil por ano segundo o Ministério da Saúde, conteúdos como os de Cobb servem de lembrete visual para campanhas de conscientização do Detran e Contran sobre o uso obrigatório de cintos desde os anos 90.
O sucesso de @Super70sSports reflete uma tendência global de nostalgia digital, vista em perfis semelhantes sobre anos 80 e 90. Cobb, porém, foca nos anos 70 por sua autenticidade crua, diferenciando-se de conteúdos mais leves.
Enquanto o mundo evolui para veículos autônomos e esportes sem fumo, Cobb mantém viva a memória de uma década icônica. Sua conta continua crescendo, provando que o apelo dos absurdos setentistas transcende gerações e fronteiras.
