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Publicado há cerca de 18 horas
Um cirurgião da Flórida foi indiciado por homicídio culposo em segundo grau após remover o fígado de um paciente em vez do baço durante uma cirurgia, resultando na morte do homem na mesa de operação. O caso chocante ocorreu em agosto de 2024 e veio à tona com a decisão de um grande júri do condado de Walton, que encontrou causa provável de conduta criminal.
O médico em questão é o Dr. Thomas Shaknovsky, de 44 anos, que realizava uma esplenectomia laparoscópica – procedimento para remoção do baço – no hospital Ascension Sacred Heart Emerald Coast, em Miramar Beach, na região do Panhandle da Flórida, próximo à fronteira com o Alabama. A vítima era William Bryan, um idoso de 70 anos residente de Muscle Shoals, no Alabama, que viajou para o procedimento eletivo.
De acordo com investigações, Shaknovsky removeu equivocadamente o fígado de Bryan, causando perda catastrófica de sangue que levou à morte do paciente ainda durante a cirurgia, em 21 de agosto de 2024. A autópsia posterior confirmou que o baço da vítima permaneceu intacto, enquanto o fígado havia sido extirpado por completo.
O grande júri do condado de Walton, que analisou evidências apresentadas pela promotoria, concluiu que as ações do médico na sala de cirurgia configuraram homicídio culposo sob a lei da Flórida. Relatos indicam que a equipe cirúrgica percebeu o erro em tempo real, sabendo que o órgão removido era o fígado, mas Shaknovsky teria ordenado que fosse rotulado como baço para envio à patologia.
Além disso, documentos judiciais revelam que o cirurgião continuou a operação mesmo após o paciente sofrer parada cardíaca. Inicialmente, Shaknovsky alegou que a morte resultara de uma ruptura de aneurisma esplênico, mas a autópsia desmentiu completamente essa versão, apontando o erro cirúrgico como causa direta.
Shaknovsky foi preso na segunda-feira, 13 de abril de 2026 – data alinhada ao calendário atual –, em Miramar Beach, e transferido para a prisão do condado de Walton, onde aguarda audiência de fiança. A prisão ocorreu após o indiciamento formal pelo grande júri local.
Em resposta ao incidente, a licença médica de Shaknovsky foi suspensa na Flórida por ordem de emergência do Cirurgião Geral estadual em setembro de 2024. Posteriormente, em novembro do mesmo ano, ele se rendeu voluntariamente à sua licença no Alabama, estado onde residia a vítima e onde o médico também atuava.
O caso ganhou ampla repercussão na imprensa americana, com veículos como NBC News, FOX 13 Tampa Bay e AL.com destacando a gravidade do erro médico. Para leitores brasileiros, o incidente reforça debates sobre segurança em cirurgias minimamente invasivas, comuns no SUS e em clínicas particulares, onde esplenectomias laparoscópicas são realizadas rotineiramente para tratar condições como esplenomegalia.
Autoridades fluminenses enfatizaram que o grande júri baseou sua decisão em depoimentos da equipe cirúrgica, laudos periciais e registros hospitalares, que expuseram não apenas o erro inicial, mas também tentativas de encobrir o ocorrido. A promotoria descreveu as ações como 'conduta criminal recklessly negligent'.
William Bryan, a vítima, era um aposentado de Muscle Shoals, cidade industrial no norte do Alabama conhecida por suas fábricas de música e siderúrgicas. Familiares não comentaram publicamente, mas o caso expõe riscos em cirurgias eletivas realizadas fora do estado de residência, prática comum entre americanos em busca de custos menores no Panhandle da Flórida.
Especialistas em medicina forense consultados por veículos como WEAR TV destacaram que confundir fígado e baço, órgãos anatomicamente distintos no quadrante superior esquerdo do abdômen, representa falha grave em protocolos laparoscópicos, que utilizam câmeras e instrumentos precisos para identificação visual.
O hospital Ascension Sacred Heart Emerald Coast, unidade de uma rede católica com presença em vários estados americanos, cooperou com a investigação, mas não emitiu comentários sobre o caso específico. Incidentes como esse são raros, mas alimentam discussões sobre treinamento cirúrgico e checklists de segurança, inspirados em protocolos como os do WHO Surgical Safety Checklist, adotados no Brasil desde 2008.
Shaknovsky, formado em cirurgia geral, enfrentava previamente alegações de má prática em outros casos, conforme reportado pela NBC News, embora não diretamente ligados a este episódio fatal. Sua defesa não se pronunciou até o momento sobre o indiciamento.
O indiciamento por homicídio culposo em segundo grau na Flórida pode resultar em pena de até 15 anos de prisão, dependendo do julgamento. O caso segue para o tribunal do condado de Walton, com audiência preliminar marcada nos próximos dias.
Para o Brasil, onde erros médicos respondem por cerca de 10% das indenizações judiciais em saúde segundo o CNJ, o episódio serve como alerta sobre a importância de segundas opiniões e fiscalização em cirurgias complexas, especialmente laparoscópicas, cujo volume cresceu 30% na última década no país.
Atualizações sobre o caso serão acompanhadas pelo Timon Diário, com foco na resolução judicial e lições para a prática médica global.
