Matéria
Publicado há cerca de 1 mês · Mundo
O Papa Leão XIV deu início à sua primeira turnê apostólica pela África nesta segunda-feira (13), desembarcando em Argel, na Argélia, para uma visita histórica que marca a primeira vez que um pontífice visita o país norte-africano. A viagem, que se estende por 11 dias e inclui 18 voos, abrange Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, com foco na promoção da paz e na coexistência entre cristãos e muçulmanos em um contexto de conflitos globais.
Durante o voo papal rumo à capital argelina, o primeiro papa norte-americano rebateu críticas do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que questionou suas declarações contra a guerra entre EUA, Israel e Irã. Leão XIV afirmou à Associated Press (AP) não temer o governo Trump e reafirmou seu compromisso em falar contra o conflito, promovendo a paz e a reconciliação. 'Minha mensagem é o Evangelho, e convido todos a construir pontes de paz', disse o pontífice.
Em seu primeiro discurso em Argel, o Papa pediu paz para todas as nações e criticou 'tendências neocoloniais' e violações ao direito internacional, em referência velada ao cenário de tensões no Oriente Médio. A turnê ocorre em meio à escalada da guerra EUA-Israel contra o Irã, com apelos recentes do Vaticano por cessar-fogo e diálogo. Para leitores brasileiros, vale notar que Angola, um dos destinos, mantém laços históricos com o Brasil via comunidades lusófonas e fluxos migratórios.
Leão XIV, inspirado em Santo Agostinho – nascido na antiga Hipona, atual Argélia –, visitou o Maquam Echahid, monumento aos mártires da independência argelina contra a França colonial. O gesto simboliza solidariedade com a história de luta pela liberdade do país, que conquistou autonomia em 1962 após oito anos de guerra.
Em seguida, o pontífice dirigiu-se à Grande Mesquita de Argel, reforçando o diálogo inter-religioso. A Argélia, de maioria muçulmana, recebe essa visita como sinal de compromisso vaticano com a harmonia em regiões marcadas por extremismos e migrações forçadas.
No mesmo dia, Leão XIV celebrou missa na Basílica de Nossa Senhora da África, em Argel, reunindo fiéis católicos locais em um ato de fé e unidade. A basílica, construída no século XIX, é um marco da presença cristã na região.
A agenda na Argélia prossegue com encontros com autoridades e líderes religiosos, antes da partida para Camarões. A turnê, planejada com rigor logístico devido aos 18 voos, destaca as necessidades do continente africano, como migração e conflitos.
Fontes como AP News e Reuters destacam que o Papa rejeita qualquer 'debate' direto com Trump, priorizando sua missão evangélica. 'Não tenho medo de um governo ou outro; continuo a falar pela paz', reiterou a bordo do avião.
Para o Brasil, a viagem ressoa por paralelos com a diplomacia papal de Francisco, que visitou Angola em 2009, e pelo interesse em Angola, ex-colônia portuguesa com forte diáspora brasileira. A Guiné Equatorial, outro destino, compartilha herança ibérica.
A BBC e o New York Times contextualizam a gira como esforço para reacender a presença católica na África, onde o número de fiéis cresce rapidamente, contrastando com declínios na Europa.
Vatican News e DW enfatizam o aspecto missionário: 'Pedro volta à África como missionário de paz', descreve o editorial de Andrea Tornielli. A visita à Argélia sinaliza diálogo com o mundo muçulmano em tempos de tensão.
Ao longo dos 11 dias – duração confirmada por múltiplas fontes, apesar de variações para 10 dias em algumas –, Leão XIV enfrentará desafios logísticos e políticos, mas sua mensagem central permanece: paz contra o pano de fundo da guerra no Oriente Médio.
A turnê reforça o papel do Vaticano como mediador global, especialmente relevante para o Brasil, nação católica com influência na América Latina e África lusófona. O mundo acompanha os próximos passos do pontífice.
