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Publicado há cerca de 1 mês · Mundo
O papa Leão XIV iniciou nesta segunda-feira (13) sua primeira visita papal à Argélia, um marco histórico para as relações entre a Santa Sé e o país norte-africano. O itinerário da viagem, que se estende até quarta-feira (15), tem como foco principal seguir os passos de Santo Agostinho, bispo de Hipona por três décadas e figura central na espiritualidade do atual pontífice.
Leão XIV, o primeiro papa da Ordem de Santo Agostinho, descreve-se como 'filho espiritual' do santo do século IV e V. A peregrinação inclui uma visita ao sítio arqueológico de Hipona, em Annaba — atual nome da antiga Hippo Regius —, onde Agostinho viveu e atuou como bispo entre 395 e 430. Essa etapa é vista como um 'retorno às raízes agostinianas' e uma peregrinação pessoal do papa.
No primeiro dia da visita, o papa celebrou missa na Basílica de Nossa Senhora da África, em Argel, reunindo fiéis e autoridades locais. O evento marcou o início oficial do tour apostólico de 11 dias por quatro nações africanas: Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. A escolha da Argélia reflete não só laços espirituais, mas também o crescente diálogo com o mundo muçulmano, dada a maioria islâmica do país.
Nesta terça-feira (14), Leão XIV segue para Annaba, onde presidirá missa na Basílica de Santo Agostinho, ao lado de clérigos africanos. O ponto alto será a caminhada pelo sítio arqueológico de Hipona, permitindo ao papa reviver os passos de seu 'pai espiritual'. O Vaticano descreve o momento como 'profundamente simbólico', conectando a Igreja antiga à contemporânea.
O pontífice já tem laços profundos com Annaba: visitou a cidade duas vezes antes de sua eleição, em 2004 e 2013, como prior da Ordem Agostiniana. Essas viagens reforçam o caráter pessoal da atual peregrinação, que o papa menciona frequentemente em discursos desde sua ascensão ao trono de Pedro, citando Agostinho como referência constante.
Para leitores brasileiros, a viagem ganha relevância pelo eco agostiniano na América Latina. Santo Agostinho influencia teólogos e movimentos católicos no Brasil, como as Renovação Carismática e estudos patrísticos em seminários. A ênfase de Leão XIV em Agostinho pode inspirar debates sobre conversão e graça em contextos pastorais locais.
A Argélia, independente desde 1962 após guerra contra a França, recebe o primeiro papa em sua história moderna. O país, com 45 milhões de habitantes, tem uma minoria católica de cerca de 20 mil fiéis, servida por 25 paróquias. A visita ocorre em clima de paz relativa, após anos de instabilidade.
Fontes como AP News e The New York Times destacam o simbolismo da jornada. 'Papa Leão XIV segue os passos de Santo Agostinho na Argélia', resume a AP, enquanto o NYT chama de 'retorno às raízes em uma ordem santa'. O Vatican News detalha a visita a Hipona como clímax espiritual.
Leão XIV, eleito em 2025, tem priorizado a África em seu pontificado, reconhecendo o continente como 'futuro da Igreja'. A turnê atual reforça esse compromisso, com mensagens sobre unidade e diálogo inter-religioso, especialmente relevante em nações de maioria muçulmana como a Argélia.
Em Annaba, o papa encontrará resquícios da Hipona agostiniana: ruínas de basílicas, batistérios e mosaicos que testemunharam a pregação do santo contra heresias como o donatismo. Essa herança patrística ressoa na teologia papal atual, enfatizando misericórdia e busca pela verdade.
A França 24 nota que 'Leão XIV caminha nos passos de Santo Agostinho no segundo dia'. National Catholic Reporter chama a viagem de 'volta ao lar espiritual para o primeiro papa agostiniano'. Todas as fontes convergem na ausência de incidentes, focando no aspecto devocional.
O calendário prevê, no último dia argelino, encontros com jovens e autoridades, antes da partida para Camarões. A logística inclui missas campais e visitas a comunidades, adaptadas ao contexto de minoria cristã. Para o Brasil, com forte presença agostiniana em ordens religiosas, a notícia inspira reflexão sobre herança patrística.
Essa visita papal à Argélia não só honra Santo Agostinho, mas projeta Leão XIV como ponte entre passado e presente da Igreja. Em um mundo polarizado, o gesto reforça a universalidade católica, com ecos potenciais em diálogos sul-sul entre Brasil e África.
