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Publicado há cerca de 1 mês · Esportes
A polêmica manobra de Michael Schumacher no GP de Mônaco de 2006, considerada uma trapaça deliberada, ganhou nova luz após duas décadas. Jean Todt, ex-chefe da Ferrari e presidente da FIA entre 2009 e 2021, admitiu publicamente que o alemão parou o carro de propósito na curva Rascasse durante a classificação, impedindo Fernando Alonso de completar sua volta rápida.
A declaração de Todt foi feita em entrevista ao podcast 'High Performance', repercutida por veículos como NSC Total, O Globo, ge.globo e CNN Brasil. 'Ele parou de propósito', afirmou o francês, que comandou Schumacher na equipe italiana durante sua era de domínio na Fórmula 1.
O incidente ocorreu em 27 de maio de 2006, nas ruas estreitas do principado de Mônaco, palco de uma das disputas mais acirradas pelo título. Schumacher, heptacampeão e líder do campeonato com a Ferrari, tentava conquistar a pole position contra Alonso, que defendia o título pela Renault.
Na sessão de classificação, Schumacher estacionou o F2006 na entrada da Rascasse, última curva antes da reta dos boxes. A manobra acionou a bandeira amarela, obrigando Alonso a reduzir a velocidade e abortar sua volta lançada, garantindo ao alemão a posição de honra provisória.
A direção de prova, liderada por Charlie Whiting, investigou o caso na hora. Após análise de telemetria e imagens, concluiu que a ação foi intencional e puniu Schumacher com a exclusão do grid de largada da corrida principal, forçando-o a partir do fundo do pelotão.
Fernando Alonso herdou a pole position e dominou a prova, vencendo o GP de Mônaco com 25 voltas de vantagem sobre o segundo colocado, David Coulthard, da Red Bull. Schumacher, apesar da punição, recuperou terreno e terminou em quarto lugar, atrás de Alonso, Coulthard e Juan Pablo Montoya.
Todt, em sua confissão recente, destacou o custo alto da ousadia. 'Ele pagou um preço alto', disse, referindo-se à perda de pontos cruciais em Mônaco, pista onde ultrapassar é quase impossível. A punição e o resultado enfraqueceram a campanha de Schumacher pelo oitavo título.
Alonso sagrou-se bicampeão em 2006, com 134 pontos contra 121 de Schumacher. O espanhol venceu sete corridas, incluindo Mônaco, enquanto o alemão somou cinco triunfos, mas tropeços como o de Monte Carlo pesaram na balança final.
O ex-chefe da Ferrari também comentou o estilo de Schumacher. 'Ele não sabia trapacear', brincou Todt, apontando que o alemão falhou de forma desastrosa em duas ocasiões conhecidas, incluindo Mônaco 2006. A outra referência implícita é o incidente de 1994 no GP da Austrália, mas o foco permanece no episódio monegasco.
A FIA, na época, manteve a punição apesar de protestos da Ferrari, que alegava falha mecânica. Telemetria mostrou que Schumacher freou bruscamente sem motivo, confirmando a deliberação. Nenhum recurso prosperou.
A revelação de Todt, aos 78 anos, surge em momento em que Schumacher, afastado do público desde o acidente de esqui em 2013, permanece sob cuidados familiares. Sua condição de saúde impede declarações oficiais, e a Ferrari não se manifestou sobre o caso recente.
Mídia brasileira, como O Estado de S. Paulo e ge.globo, destacou a admissão como rara franqueza de um aliado próximo do piloto. 'Manobras irregulares', resumiu O Globo, ecoando a controvérsia que marcou o fim da dinastia Schumacher.
O episódio reforça o legado ambíguo do alemão: gênio das pistas com sete títulos, mas criticado por táticas limítrofes, como em Adelaide 1994 contra Hill. Em Mônaco, a trapaça falhou, custando caro na briga com Alonso.
Especialistas em F1 veem na confissão de Todt um fechamento tardio de um capítulo polêmico. 'Schumacher pagou muito caro por perder o controle', completou o ex-dirigente, ligando a punição à derrota no campeonato.
Vinte anos depois, o GP de Mônaco 2006 permanece como símbolo da rivalidade feroz entre Schumacher e Alonso, duo que definiu a transição da era Schumacher para a nova geração.
