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Publicado há cerca de 1 mês · Economia
A Azzas 2154, holding que controla marcas como Hering, Arezzo e Reserva, anunciou nesta semana a saída de Ruy Kameyama da diretoria executiva. O executivo, que presidia a unidade Fashion & Lifestyle, encerra seu ciclo na empresa no final de abril de 2026 para se dedicar a novos projetos pessoais e profissionais.
Kameyama assumiu o cargo de presidente da divisão em agosto de 2025 e foi eleito para a diretoria em fevereiro do mesmo ano. Sua gestão foi elogiada pela companhia, que destacou contribuições em eficiência operacional, rentabilidade e fortalecimento das marcas do portfólio.
O anúncio, feito oficialmente pela Azzas, gerou forte reação no mercado. As ações da empresa (AZZA3) caíram 10,88% na sessão de 10 de abril de 2026, liderando as maiores baixas do Ibovespa. A desvalorização reflete preocupações dos investidores com a estabilidade da gestão após a fusão entre Arezzo e Soma, concluída em fevereiro de 2024.
Esta é a sexta saída de executivo de alto escalão desde a formação da Azzas, segundo reportagens da NSC Total e do Valor Econômico. Algumas fontes, como o InfoMoney, contam até nove desligamentos em cargos estratégicos nos últimos dois anos.
Uma das saídas recentes foi a de Rafael Sachete, que deixou o posto de vice-presidente financeiro para assumir cargo similar no Assaí. A sequência de mudanças reforça interpretações de mercado sobre dificuldades na integração pós-fusão.
O motivo oficial para a partida de Kameyama é pessoal, mas analistas ligam o episódio a tensões societárias persistentes entre os principais sócios, Alexandre Birman, da Arezzo, e Roberto Jatahy, da Soma. Apesar de um armistício recente, desentendimentos continuam a impactar a governança.
Roberto Jatahy, que ocupa assento no conselho da Azzas, pode retornar ao comando operacional da divisão de moda após a saída de Kameyama, conforme apuração exclusiva do Valor Econômico. A especulação não foi confirmada oficialmente pela empresa.
A Azzas 2154 nasceu da fusão bilionária entre Arezzo&Co e Grupo Soma, criando um gigante do varejo de moda com faturamento anual superior a R$ 10 bilhões. O portfólio inclui Hering, Arezzo, Schutz, Reserva, Farm e Anacapri, entre outras.
Desde a operação, a companhia enfrenta desafios para alinhar culturas empresariais e estratégias. As múltiplas trocas na cúpula executiva sinalizam instabilidades que preocupam o mercado, especialmente em um cenário de consumo ainda em recuperação pós-pandemia.
No dia do anúncio, o InfoMoney analisou a 'reação extrema' das ações, atribuindo-a a temores de continuidade na rotatividade de lideranças. 'A saída reforça percepção de fragilidades na gestão integrada', destacou a publicação.
A NSC Total descreveu o episódio como 'mais uma baixa na diretoria' da dona da Hering, enfatizando o impacto imediato no pregão. Já o Valor apontou para possíveis movimentações internas, com Jatahy potencialmente reassumindo papéis operacionais.
Analistas consultados pelo mercado veem a Azzas como uma das consolidações mais ambiciosas do setor têxtil brasileiro, mas alertam para riscos de diluição de valor se as saídas prosseguirem. A empresa não comentou especulações sobre sucessão.
Kameyama, com trajetória de sucesso em varejo, deixa a Azzas em momento de reestruturação. Sua saída ocorre após menos de um ano no topo da Fashion & Lifestyle, divisão responsável por marcas como Hering e Reserva.
O episódio reforça a necessidade de estabilização na Azzas para capturar sinergias da fusão. Investidores aguardam detalhes sobre o substituto e medidas para conter a rotatividade, enquanto as ações tentam se recuperar das perdas recentes.
