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Publicado há 1 dia · Economia
O Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, destinou R$ 25,8 milhões brutos em pagamentos a consultorias ligadas a três ex-presidentes da instituição: Henrique Meirelles, Gustavo Loyola e Pedro Malan. Os valores, equivalentes a R$ 20,2 milhões líquidos após tributos, foram realizados entre 2022 e 2025, conforme dados da Declaração do Imposto Retido na Fonte (DIRF) enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado do Congresso Nacional.
A maior parte dos repasses, R$ 18,5 milhões brutos (R$ 13,4 milhões líquidos), foi para Henrique Meirelles, ex-presidente do BC entre 2003 e 2008. Desse total, R$ 9,8 milhões foram pagos em 2024 e R$ 8,6 milhões em 2025, por serviços de consultoria em macroeconomia e mercado financeiro. Meirelles confirmou o contrato, que vigorou de março de 2024 a julho de 2025, caracterizando-o como opinativo.
Gustavo Loyola, presidente do BC de 1997 a 2000, recebeu R$ 6,7 milhões brutos por meio de sua empresa, Gustavo Loyola Consultoria Ltda. Os pagamentos ocorreram em parcelas mensais de R$ 250 mil, entre agosto de 2023 e agosto de 2025, referentes a consultoria econômica. Loyola afirmou que os serviços não envolveram pleitos a autoridades. Além disso, a Tendências Consultoria Integrada, ligada a ele, faturou mais de R$ 430 mil líquidos em 2022 e 2025 por laudos e análises econômicas.
Pedro Malan, que comandou o BC de 1995 a 1997 e depois o Ministério da Fazenda, teve o menor repasse: R$ 106,5 mil brutos em 2022, pagos à Mirza e Malan Sociedade de Advogados, escritório ligado a ele. O valor foi referente a atuação em processo judicial, sem indícios de envolvimento direto de Malan nos serviços.
Todos os pagamentos ocorreram antes da liquidação do Banco Master pelo BC, em um período marcado por questionamentos regulatórios sobre operações da instituição. Os dados foram extraídos das DIRF do banco, referentes a quatro anos, e entregues à CPI do Crime Organizado, que investiga possíveis crimes financeiros.
A CPI recebeu as declarações de Imposto de Renda do Master, mas a análise ainda não foi concluída. O relatório final está previsto para ser votado nesta segunda-feira, 14 de abril de 2026. Pagamentos a Meirelles foram corroborados em R$ 18,4 milhões entre 2024 e 2025, em declarações de IR analisadas pela comissão, com pequenas variações nos totais reportados por fontes diferentes.
A CNN Brasil foi a primeira a divulgar os detalhes dos repasses aos ex-presidentes do BC, com base nos documentos fiscais. O G1 destacou que a CPI não finalizou a análise das DIRF, questionando os próximos passos da investigação. A Revista Oeste mencionou pagamento de R$ 5 milhões a um ex-presidente do BC, alinhando-se aos valores parciais reportados.
A Folha de S.Paulo revelou que o Master declarou pagamentos a outras figuras políticas, como Michel Temer, Guido Mantega e ACM Neto, mas esses não fazem parte dos repasses aos ex-presidentes do BC. O Valor Econômico apontou repasses a escritórios ligados à esposa de Alexandre de Moraes, mas novamente fora do escopo central desta pauta.
Os ex-dirigentes negam irregularidades. Loyola enfatizou que seus serviços foram estritamente consultivos, sem lobby. A Tendências prestou análises para operações questionadas por reguladores, mas dentro de suas atividades usuais de pareceres e laudos econômicos.
Não há confirmação oficial do Banco Central sobre a legalidade das consultorias. A liquidação extrajudicial do Master ocorreu em novembro de 2025, após o banco enfrentar problemas de solvência e denúncias de irregularidades.
A ausência de imagens oficiais ligadas diretamente aos pagamentos ou aos ex-presidentes nos documentos da CPI limita ilustrações visuais. O foco permanece nos dados fiscais públicos.
Especialistas em regulação financeira consultados por veículos como a CNN destacam que consultorias a bancos por ex-autoridades são comuns, mas valores elevados em período pré-liquidacao levantam questionamentos sobre due diligence.
A CPI do Crime Organizado, instalada para apurar lavagem de dinheiro e outros delitos, usa as DIRF como base para mapear fluxos financeiros do Master. A votação do relatório nesta segunda pode definir indiciamentos ou arquivamentos.
Os R$ 25,8 milhões representam parcela significativa das despesas do banco em consultorias externas, em meio a um contexto de instabilidade que culminou na intervenção do BC.
Meirelles, Loyola e Malan acumulam trajetórias de destaque na economia brasileira, com passagens por governos de FHC e Lula. Seus contratos com o Master ocorreram em fase crítica da instituição.
