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Publicado há cerca de 1 mês · Economia
O CEO da United Airlines, Scott Kirby, propôs uma possível fusão ou combinação com a rival American Airlines durante uma reunião com o presidente Donald Trump, no final de fevereiro, segundo duas fontes familiarizadas com o assunto. A informação foi revelada por veículos como Reuters e Bloomberg.
O encontro ocorreu ao término de uma sessão agendada na Casa Branca sobre o futuro do aeroporto Dulles, em Washington. Kirby, que já foi presidente da American Airlines até 2016, argumentou que uma United-American unificada seria mais competitiva em rotas internacionais contra companhias aéreas estrangeiras.
De acordo com as fontes, Kirby destacou que dois terços dos assentos em voos de longo curso para e da Estados Unidos são operados por transportadoras estrangeiras, embora 60% dos passageiros sejam cidadãos americanos. Essa disparidade, segundo ele, enfraquece as aéreas dos EUA no cenário global.
A United Airlines e a American Airlines são duas das maiores companhias aéreas do mundo e competem ferozmente, especialmente por portões de embarque e participação no aeroporto O'Hare, em Chicago, um dos mais movimentados dos Estados Unidos.
Tanto a United quanto a Casa Branca não comentaram oficialmente a proposta. As informações baseiam-se em fontes anônimas, e não está claro se houve avanços formais ou se um processo para explorar o negócio está em andamento.
Qualquer fusão enfrentaria escrutínio regulatório intenso, mesmo na administração Trump, conhecida por ser pró-negócios. Autoridades antitruste, como o Departamento de Justiça dos EUA, examinariam o impacto na concorrência doméstica e nos preços de passagens aéreas.
Kirby deixou a American em 2016 sem perspectivas de assumir o cargo de CEO, o que pode contextualizar sua visão estratégica sobre uma possível união. Hoje, como líder da United, ele busca fortalecer a posição americana no aviação internacional.
Para o mercado brasileiro, uma fusão dessas proporções poderia afetar rotas transatlânticas e para a América Latina, onde as duas companhias operam voos diretos de hubs como Miami e Nova York para cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.
A United Airlines, sediada em Chicago, transportou mais de 160 milhões de passageiros em 2024, enquanto a American, com base em Dallas, liderou com cerca de 220 milhões. Juntas, controlariam uma fatia ainda maior do tráfego aéreo dos EUA.
Historicamente, fusões no setor aéreo americano, como a da Delta com a Northwest em 2008 e da United com a Continental em 2010, foram aprovadas após concessões regulatórias, mas o mercado consolidou-se bastante desde então.
Críticos apontam que maior consolidação poderia elevar preços para consumidores americanos e elevar barreiras para concorrentes menores, incluindo low-costs que atendem rotas para o Brasil.
A proposta surge em um momento de recuperação pós-pandemia, com as aéreas reportando lucros recordes, mas pressionadas por custos de combustível e investimentos em frota sustentável.
Trump, que tem defendido políticas de 'America First', pode ver na ideia uma forma de impulsionar a competitividade nacional, mas reguladores independentes teriam a palavra final.
Fontes da Reuters confirmaram que Kirby levantou o tema diretamente com o presidente, em um contexto informal após a discussão sobre Dulles, principal hub da United na capital.
A Bloomberg e a Fortune também cobriram o assunto, reforçando a credibilidade da informação apesar da ausência de comentários oficiais.
Para brasileiros que viajam aos EUA, uma fusão poderia significar mais opções de codeshare e programas de milhagem integrados, mas também risco de redução de concorrência em rotas chave.
O setor aéreo global observa o caso, pois uma aprovação abriria precedentes para outras combinações em mercados maduros como o europeu e asiático.
