Matéria
Publicado há cerca de 1 mês · Economia
O CEO da United Airlines, Scott Kirby, apresentou aos altos escalões do governo dos Estados Unidos a ideia de uma possível fusão ou combinação com a concorrente American Airlines. A proposta foi revelada por fontes anônimas em reportagens da Fortune, Bloomberg e Reuters, publicadas nesta semana.
Kirby levou o tema diretamente ao presidente Donald Trump em uma reunião na Casa Branca no dia 25 de fevereiro de 2026, durante discussões sobre o futuro do aeroporto Dulles, em Washington. O executivo argumentou que a união das duas gigantes aéreas americanas impulsionaria a competitividade em rotas internacionais, onde companhias estrangeiras detêm cerca de 60% dos assentos disponíveis.
A sugestão ocorre em um contexto de desafios para o setor aéreo dos EUA, agravados pelos altos preços do combustível decorrentes da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada dias após o encontro na Casa Branca. Para leitores brasileiros, vale notar que o Brasil é um dos principais mercados de aviação na América Latina, com rotas transatlânticas intensas operadas por essas companhias, e uma fusão poderia impactar passagens para destinos como Miami e Nova York.
Scott Kirby não é um desconhecido da American Airlines: ele ocupou o cargo de presidente da companhia entre 2013 e 2016, deixando a empresa sem perspectivas de ascender a CEO. Sua experiência interna pode ter influenciado a abordagem estratégica à rival.
Uma eventual fusão criaria a maior companhia aérea do mundo em termos de capacidade de assentos. Em 2025, United e American já eram as duas maiores dos EUA, com a United avaliada em cerca de US$ 31 bilhões em capitalização de mercado, contra US$ 7 bilhões da American, que ainda carrega uma dívida de US$ 25 bilhões.
Nem a United Airlines nem a American Airlines comentaram oficialmente a proposta até o momento. A Casa Branca também não se manifestou sobre o encontro específico.
No mercado financeiro, as ações da American Airlines dispararam mais de 5% no after-hours de negociação após a divulgação das reportagens, sinalizando otimismo de investidores apesar das incertezas.
A proposta enfrenta intenso escrutínio regulatório antitruste. Mesmo sob a administração Trump, conhecida por ser favorável a negócios, qualquer consolidação desse porte seria analisada quanto a impactos na competição e nos preços de passagens aéreas para consumidores americanos e internacionais.
O secretário de Transportes, Sean Duffy, indicou recentemente que há espaço para consolidações no setor, mas enfatizou a necessidade de avaliação rigorosa sobre efeitos na concorrência e tarifas. Especialistas consultados pelas fontes apontam chances baixas de aprovação devido à alta concentração de mercado que resultaria.
As reportagens são baseadas em fontes anônimas familiarizadas com as conversas, sem confirmação formal das empresas envolvidas ou do governo. Não está claro se houve abordagens diretas à American Airlines ou se um processo de fusão está em curso.
Para o Brasil, o episódio reforça a importância de monitorar fusões globais no setor aéreo, pois rotas para a América do Norte representam fatia significativa do tráfego de companhias como LATAM e Gol, que competem indiretamente com United e American.
Kirby defendeu a ideia destacando a dominância estrangeira em rotas longas, um ponto sensível em meio às tensões geopolíticas atuais que encarecem o combustível e pressionam margens de lucro.
Historicamente, fusões no setor aéreo americano, como Delta-Northwest em 2008 e United-Continental em 2010, passaram por aprovações condicionais do Departamento de Justiça, mas o cenário atual é mais complexo devido ao tamanho das envolvidas.
Analistas destacam a fragilidade financeira da American como possível atrativo para a United, mas alertam para riscos de diluição acionária e desafios operacionais em uma integração.
O caso ilustra as estratégias de consolidação em indústrias maduras, buscando escala para enfrentar custos voláteis e concorrência global, com implicações potenciais para viajantes brasileiros em busca de conexões eficientes aos EUA.
Enquanto a proposta avança nos bastidores, o setor aéreo global observa, aguardando sinais regulatórios que possam moldar o futuro da aviação comercial.
