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Publicado há cerca de 3 horas · Economia
As empresas estatais federais não dependentes acumularam um déficit de R$ 7,8 bilhões entre janeiro e junho de 2026, conforme dados divulgados pelo Banco Central na sexta-feira, 31 de julho. O resultado representa o pior desempenho para o período desde o início da série histórica, em 2002, e supera o recorde anterior de R$ 3,9 bilhões negativos registrado no mesmo intervalo de 2025.
O rombo parcial do ano já ultrapassa o déficit anual mais elevado da série, de R$ 6,7 bilhões em 2024. Desde 2023, as estatais federais operam consistentemente no vermelho, e o governo projeta continuidade do déficit até pelo menos 2030, conforme o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027.
Os Correios são apontados como o principal responsável pelo resultado negativo. A estatal responde pela maior parte do rombo entre as empresas não dependentes do Tesouro. Em 2025, os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões, e a tendência de deterioração persiste em 2026 apesar de medidas de reestruturação.
A deterioração financeira dos Correios é atribuída a problemas de gestão, perda de relevância do monopólio postal diante da transformação digital, redução do subsídio cruzado e concorrência crescente no mercado de encomendas. A empresa contratou empréstimo de R$ 12 bilhões em dezembro de 2025 com garantia do Tesouro Nacional e obteve autorização para buscar mais R$ 8 bilhões.
O plano de reestruturação dos Correios inclui programas de demissão voluntária, venda de imóveis ociosos e reajustes tarifários, mas os resultados ainda não foram suficientes para reverter o quadro. O governo admite no PLDO que a empresa deve continuar apresentando elevado prejuízo em 2026.
Em segundo lugar no ranking de déficits aparece o setor nuclear, liderado pela Eletronuclear. O principal desafio é o impasse na usina Angra 3, cuja paralisação gera elevados custos financeiros sem geração de energia. A interrupção definitiva do projeto também demandaria bilhões para descomissionamento.
Empresas como Infraero, Casa da Moeda e companhias portuárias federais também registram resultados negativos, embora em escala inferior à dos Correios e do setor nuclear. A Infraero, por exemplo, ficou responsável por ativos menos rentáveis após o processo de concessão de aeroportos.
A Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado alertou para a deterioração financeira das estatais e os riscos fiscais para o Tesouro Nacional. O órgão destaca que o quadro não decorre de um único fator, mas de combinação de problemas operacionais, financeiros e regulatórios.
O Banco Central exclui do cálculo as estatais financeiras, como Banco do Brasil, Caixa e BNDES, e a Petrobras. A metodologia considera o impacto no endividamento e na política fiscal, diferentemente do conceito contábil utilizado pelo Ministério da Gestão e Inovação.
O Ministério da Gestão e Inovação critica a metodologia do Banco Central e afirma que as estatais federais registraram lucro contábil de R$ 169,4 bilhões em 2025. Há divergência entre os conceitos de resultado primário e lucro contábil.
O déficit das estatais pressiona as contas públicas e reduz espaço fiscal para investimentos e serviços. Especialistas indicam que, independentemente do resultado eleitoral, a discussão sobre reestruturação das empresas será inevitável.
O governo argumenta que parte do aumento do déficit reflete ampliação de investimentos realizados pelas estatais. No entanto, a IFI e analistas independentes apontam para necessidade de ajustes estruturais mais profundos.
A série histórica do Banco Central mostra deterioração progressiva: em junho de 2022 o déficit era de R$ 171,8 milhões; saltou para R$ 1,5 bilhão em 2023 e R$ 1,7 bilhão em 2024, com pico de R$ 2,6 bilhões em junho de 2025.
No acumulado de 12 meses até junho de 2026, o déficit das estatais federais alcançou R$ 10,4 bilhões, pior que os R$ 8,3 bilhões do período anterior. Os dados confirmam a persistência do desequilíbrio financeiro no setor.
