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Publicado há cerca de 3 horas · Economia
O Banco Central divulgou nesta sexta-feira (31) que as empresas estatais federais registraram um déficit de R$ 7,8 bilhões no primeiro semestre de 2026. O resultado é o pior para o período desde o início da série histórica em 2002.
O rombo supera o recorde anterior de R$ 3,9 bilhões negativos no mesmo período de 2025. Ele também ultrapassa o déficit anual recorde de R$ 6,73 bilhões registrado em todo o ano de 2024.
O cálculo do Banco Central foca no impacto fiscal e exclui Petrobras, Eletrobras e empresas do setor financeiro. Entram na conta companhias como Correios, Infraero, Casa da Moeda e portuárias federais.
Os Correios são apontados como o principal responsável pelo déficit do setor. A estatal registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e continua com deterioração financeira.
A crise dos Correios é atribuída à queda nas receitas de correspondências tradicionais, postagens internacionais e encomendas após a pandemia. Há ainda aumento de custos com pessoal, planos de saúde e precatórios.
A transformação digital contribui para o quadro, com o uso crescente de WhatsApp, e-mail e boletos digitais reduzindo a demanda por serviços postais tradicionais. A estatal também perdeu competitividade no mercado de encomendas para o comércio eletrônico.
Os Correios implementaram um plano de reestruturação que inclui demissão voluntária, venda de imóveis e reajustes tarifários. O governo admite no PLDO 2027 que os resultados ainda não revertem o prejuízo e que a situação deve continuar pressionada em 2026.
Em dezembro de 2025, os Correios contrataram empréstimos de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro. Em fevereiro de 2026, o Conselho Monetário Nacional autorizou mais R$ 8 bilhões em financiamentos com garantias da União.
O setor nuclear, liderado pela Eletronuclear, aparece como o segundo maior problema financeiro entre as estatais federais não dependentes. A Eletronuclear registrou prejuízo de R$ 142 milhões em 2025, revertendo lucro do ano anterior.
Empresas como Infraero, Casa da Moeda e companhias portuárias federais também registram resultados negativos, embora em escala inferior.
O governo federal projeta que as estatais federais continuarão em déficit até pelo menos 2030, conforme o PLDO 2027. As estimativas oficiais indicam rombos anuais entre R$ 5 bilhões e R$ 7,5 bilhões nesse período.
A Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado identificou deterioração perceptível da saúde financeira de parte relevante das estatais, elevando riscos para o Tesouro Nacional.
O déficit das estatais federais não dependentes apresentou forte deterioração nos últimos anos, saltando de R$ 171,8 milhões negativos em junho de 2022 para patamares muito superiores em 2025 e 2026.
O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos destaca divergência metodológica entre o conceito do Banco Central e o lucro contábil consolidado reportado pelo governo, que inclui outras estatais.
