Matéria
Publicado há cerca de 19 horas · Economia
As ações da Oncoclínicas (ONCO3) registraram forte queda na B3 nesta segunda-feira (14), após o anúncio do encerramento das negociações para uma potencial operação conjunta com Fleury e Porto Seguro. Por volta das 10h20, os papéis operavam com desvalorização de 8,13%, cotados a R$ 1,13.
O Fleury notificou formalmente a Oncoclínicas na sexta-feira (13) sobre o fim das tratativas, decisão que foi seguida pela Porto Seguro no mesmo dia. As empresas não detalharam os motivos para o encerramento, conforme comunicados divulgados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O acordo inicial, não vinculante, havia sido assinado em março de 2026 entre Oncoclínicas, Fleury e Porto Seguro. Ele previa a criação de uma nova empresa que incorporaria as clínicas oncológicas da Oncoclínicas, com aportes de R$ 500 milhões de cada uma das gigantes de saúde e seguros, além de R$ 500 milhões em debêntures conversíveis.
O prazo de exclusividade das negociações, estabelecido em março, venceu no sábado (12) sem renovação. Isso liberou a Oncoclínicas para avaliar outras propostas que haviam surgido nas últimas semanas, mas estavam bloqueadas pelo período de exclusividade.
Em fato relevante divulgado após o mercado, a Oncoclínicas informou que continuará buscando opções para reestruturar sua situação financeira. A empresa destacou que avaliará alternativas para fortalecer sua posição patrimonial e operacional.
A notícia do rompimento foi antecipada pelo Valor Econômico na quinta-feira (13), em reportagem exclusiva que citava fontes próximas às negociações. O portal confirmou que Porto e Fleury desistiram da proposta devido a questões não especificadas.
O InfoMoney relatou o impacto imediato nas ações da Oncoclínicas, que já vinham sob pressão devido a desafios financeiros da companhia. Outros veículos, como UOL Economia e Reuters, cobriram as notificações formais enviadas por Fleury e Porto.
Nem o Fleury nem a Porto Seguro forneceram detalhes sobre os motivos do fim das tratativas em seus comunicados oficiais. Analistas do mercado já previam dificuldades na operação, dada a complexidade da estrutura financeira da Oncoclínicas, mas sem confirmação das empresas.
A Oncoclínicas enfrenta um cenário desafiador, com pedido recente à Justiça de São Paulo para suspender cláusulas de vencimento antecipado de dívidas. A medida visa ganhar tempo para negociações com credores e potenciais parceiros.
O mercado reagiu negativamente ao anúncio, com o volume de negociações das ações ONCO3 aumentando significativamente na abertura do pregão. Investidores demonstraram preocupação com a perda de um possível socorro financeiro.
Especialistas consultados pelo InfoMoney apontam que a desistência de Fleury e Porto pode complicar a reestruturação da Oncoclínicas, que acumula prejuízos e endividamento elevado nos últimos balanços.
A companhia, listada na B3 desde 2020, especializa-se em tratamentos oncológicos e opera diversas unidades no Brasil. A potencial operação com Fleury e Porto era vista como uma oportunidade para expansão e capitalização.
Com o fim da exclusividade, a Oncoclínicas agora pode retomar diálogos com outros interessados. No fato relevante, a empresa mencionou propostas recebidas recentemente, sem revelar nomes ou detalhes.
O episódio reforça os desafios do setor de saúde suplementar no Brasil, marcado por fusões e aquisições em meio a pressões econômicas. Fleury e Porto Seguro, por sua vez, seguem focadas em suas estratégias principais de diagnósticos e seguros.
O Timon Diário monitora os desdobramentos e atualizações sobre o caso. A cotação das ações ONCO3 pode sofrer volatilidade ao longo do dia, dependendo de novas informações.
