Matéria
Publicado há cerca de 1 mês · Economia
Um dos principais investidores na World Liberty Financial (WLFI), empresa de criptomoedas associada à família do ex-presidente americano Donald Trump, virou crítico ferrenho do projeto. Justin Sun, fundador da Tron e conhecido bilionário do setor crypto, investiu pelo menos US$ 75 milhões em tokens WLFI, mas agora denuncia supostas práticas centralizadoras que teriam congelado seus ativos.
Sun alega que a WLFI implementou secretamente uma 'função de blacklist por backdoor', permitindo o congelamento unilateral de holdings de usuários. Seus próprios tokens estariam bloqueados desde setembro de 2025, gerando perdas superiores a US$ 80 milhões em valor. 'É uma armadilha disfarçada de porta', disparou Sun em postagens públicas, contrariando os princípios de descentralização prometidos pelo blockchain.
A WLFI, lançada em 2024 com forte envolvimento dos filhos de Trump — como Donald Trump Jr. e Eric Trump —, atraiu investidores globais prometendo inovação em finanças descentralizadas. No entanto, a polêmica com Sun expõe tensões internas. A empresa nega irregularidades nos congelamentos, afirmando que visam proteger contra 'atividades maliciosas ou de alto risco'. Sun, por sua vez, não apresentou evidências públicas concretas, conforme noticiado pela Reuters.
A disputa ganhou tração após a WLFI depositar 5 bilhões de tokens WLFI como colateral para um empréstimo de US$ 75 milhões em stablecoins na plataforma Dolomite. Essa operação, registrada em transações onchain por volta de fevereiro ou abril de 2026, saturou os pools de liquidez a 100% de utilização, impedindo saques de outros depositantes, segundo o CoinDesk.
A Dolomite foi co-fundada por Corey Caplan, que atua como advisor da WLFI, levantando questionamentos sobre conflito de interesses. Parte dos stablecoins obtidos — mais de US$ 40 milhões — foi transferida para a Coinbase Prime, maior custodiante de cripto dos EUA. A WLFI rebateu, dizendo que o empréstimo está 'longe da liquidação' e que já reembolsou US$ 25 milhões.
Em resposta direta às críticas de Sun, a WLFI adotou tom beligerante: 'Temos os contratos. Temos as evidências. Temos a verdade. Nos vemos no tribunal'. A ameaça de processo judicial paira sobre a controvérsia, sem resolução confirmada até o momento, conforme reportagens da NBC News e Bloomberg.
Para o mercado brasileiro de criptomoedas, que viu um boom com plataformas como Mercado Bitcoin e Binance Brasil, o caso WLFI serve de alerta. Investidores locais, atraídos por narrativas de 'DeFi americana', enfrentam riscos semelhantes de centralização em projetos hypados. Sun, que já teve atritos com reguladores chineses e americanos, reforça seu perfil controverso ao atacar um empreendimento trumpista.
A NBC News destacou Sun como 'um dos investidores mais proeminentes' na WLFI, enfatizando o turnaround de apoio para crítica aberta. A Reuters corroborou as alegações sobre a 'backdoor blacklisting', sem provas divulgadas. Já a Bloomberg enquadrou o episódio como 'revolta de investidor' em projeto Trump-linked.
O CoinDesk detalhou as movimentações onchain: os 5 bilhões de WLFI como garantia geraram o empréstimo na Dolomite, plataforma DeFi que agora enfrenta reclamações de usuários travados. Tal manobra, comum em protocolos lendings, expõe vulnerabilidades quando volumes massivos saturam liquidez.
Especialistas consultados por veículos como CoinDesk alertam que congelamentos seletivos minam a essência do crypto: imutabilidade e autonomia. No Brasil, onde o Banco Central regula stablecoins desde 2023, casos como esse podem influenciar debates sobre supervisão de projetos estrangeiros acessíveis via exchanges locais.
Sun, com patrimônio estimado em bilhões via Tron e outros ventures, posiciona-se como whistleblower. Sua crítica ecoa preocupações recorrentes no ecossistema crypto sobre 'DeFi centralizado', onde emissores retêm poderes god-mode sobre tokens.
A WLFI, por sua vez, defende-se com fatos contratuais. A promessa de litígio sugere que documentos privados serão expostos em corte, potencialmente revelando cláusulas de blacklist embutidas no smart contract — prática controversa, mas legal em alguns protocolos.
Enquanto a briga se desenrola, holders de WLFI monitoram riscos de liquidação. Com colateral em tokens nativos, quedas de preço poderiam disparar chamadas de margem, ampliando perdas para investidores como Sun.
O episódio reforça a volatilidade do crypto político. Projetos endossados por figuras como Trump atraem capital rápido, mas disputas internas corroem confiança. Para brasileiros, diversificação e due diligence são lições cruciais.
NBC News, em matéria de 13 de abril de 2026, catalisou a cobertura global. Sem imagens oficiais liberadas, o foco permanece nas declarações e transações verificáveis onchain.
A controvérsia pode escalar, impactando reputação da WLFI e aliados Trump no crypto. Investidores aguardam próximos movimentos judiciais ou técnicos.
