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Publicado há 5 dias · Brasil
A CPI do Crime Organizado no Senado encerrou seus trabalhos nesta segunda-feira (14) sem concluir a análise completa das declarações de Imposto de Renda do Banco Master, referentes a quatro anos (2022-2025), fornecidas pela Receita Federal. O relatório final, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), será votado hoje e recomenda que a Polícia Federal (PF) e outros órgãos aprofundem as investigações sobre transações da instituição.
A decisão de não prorrogar a CPI foi tomada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, devido ao calendário eleitoral de 2026, conforme confirmado pelo relator. Após o encerramento, o documento será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), à Procuradoria-Geral da República (PGR), à PF e à Controladoria-Geral da União (CGU) para análise e possíveis indiciamentos.
As declarações de IR revelam repasses de R$ 7,3 bilhões do Banco Master a 2.939 pessoas físicas e empresas no período analisado. Entre os pagamentos destacados, o banco destinou mais de R$ 80 milhões ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, entre 2022 e 2025.
Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda, recebeu cerca de R$ 18,5 milhões do Banco Master por serviços de consultoria em 2024 e 2025. Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda nos governos Lula e Dilma, também foi beneficiado com R$ 14 milhões no mesmo período.
O escritório ligado ao ex-presidente Michel Temer faturou R$ 10 milhões em 2025 por suposta mediação. No total, o Banco Master gastou R$ 25,8 milhões em consultorias contratadas com três ex-presidentes do BC: Meirelles, Gustavo Loyola e Pedro Malan, ao longo dos quatro anos.
A análise das declarações foi parcial devido ao tempo exíguo dos trabalhos da CPI, que não pôde examinar todos os dados recebidos. O relatório de Vieira incorpora os elementos já verificados e pede continuidade das apurações por órgãos competentes.
O Banco Master, investigado por supostas ligações com crime organizado e lavagem de dinheiro, tem sido alvo de escrutínio no Congresso. Os repasses milionários a figuras proeminentes do mundo político e financeiro chamam atenção para possíveis irregularidades nas transações.
Alessandro Vieira, em entrevistas, enfatizou a importância de que a PF receba o material para investigações mais profundas. 'Não prorrogamos por questões eleitorais, mas o relatório garante a continuidade', disse o relator à Agência Brasil.
A Receita Federal enviou os dados sigilosos após requerimento da CPI, mas o volume e a complexidade impediram a conclusão total. Especialistas apontam que os R$ 7,3 bilhões em repasses demandariam meses de análise detalhada.
Os pagamentos ao escritório de Viviane Barci de Moraes ocorrem em meio a debates sobre conflitos de interesse, dada a posição do marido no STF. A CPI não concluiu se há ilicitudes, mas o relatório sugere verificação.
Meirelles, Loyola e Malan, todos ex-presidentes do BC, somam os R$ 25,8 milhões em consultorias. A CNN Brasil destacou que esses contratos foram firmados em período de expansão das operações do banco.
Guido Mantega e o escritório de Temer também aparecem nos dados parciais. Mantega recebeu R$ 14 milhões, enquanto Temer é ligado a R$ 10 milhões por mediação em 2025.
Com o fim da CPI, o foco passa para os órgãos receptores do relatório. A PF pode abrir inquéritos com base nas informações, enquanto PGR e STF avaliarão pedidos de indiciamento.
Davi Alcolumbre justificou a não prorrogação pelo calendário eleitoral, evitando interferências no pleito de 2026. A decisão gerou críticas de oposicionistas, mas foi mantida.
O caso Banco Master ganhou repercussão nacional, com veículos como G1 e CNN detalhando os repasses. A falta de análise completa deixa perguntas sobre a extensão das irregularidades.
Para o Timon Diário, o encerramento da CPI representa um capítulo inconcluso na luta contra o crime organizado no sistema financeiro. As próximas semanas serão decisivas para o prosseguimento das investigações.
