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Publicado há cerca de 1 mês · Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou um almoço com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, nesta terça-feira (14 de abril de 2026), para discutir o polêmico projeto de lei que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho. O encontro ocorre logo após a posse de José Guimarães como ministro das Relações Institucionais e antecede o envio do texto ao Congresso.
Segundo o G1, o objetivo da reunião é o governo apresentar as razões para a medida, que já está pronta e com decisão pacificada no Planalto. Lula confirmou que o PL será enviado nesta semana, em regime de urgência, o que tranca a pauta da Câmara e do Senado por 45 dias em cada Casa.
O ministro das Cidades, Guilherme Boulos, afirmou que o presidente quer conversar pessoalmente com Motta antes do envio oficial. 'Lula quer explicar as razões da medida', disse Boulos, conforme noticiado pela CNN Brasil.
O Estadão informou que o encontro presencial deve ocorrer até quarta-feira (15 de abril), antes da viagem de Lula à Europa. O governo planeja protocolar o projeto até lá, coincidindo com um ato de centrais sindicais em Brasília.
A escala 6x1, comum em setores como comércio, indústria e serviços, prevê 6 dias de trabalho seguidos por apenas 1 de folga. O PL do governo busca extingui-la, alinhando-se a demandas trabalhistas por mais equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Recentemente, houve divergências. Em 7 de abril, Motta anunciou que o governo havia desistido do PL em favor de uma PEC, mas o Planalto negou e manteve o plano, contrariando o presidente da Casa, como reportou a Folha de S.Paulo.
Uma PEC alternativa, de autoria das deputadas Erika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG), tramita na Câmara. Ela tem votação prevista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta semana de 13 de abril e no plenário até maio.
Do lado empresarial, a reação é de forte oposição. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) enviará, nesta terça-feira (14), uma carta a todos os 513 deputados e 81 senadores contra a redução da jornada.
Na missiva, a CNI alerta para impactos econômicos graves: aumento de custos em até R$ 267 bilhões e inflação projetada em 6,2%, segundo a Folha de S.Paulo.
O texto do PL governista está finalizado e depende apenas da conversa entre Lula e Motta para o envio. Fontes do governo indicam que a medida é prioridade para atender pautas trabalhistas.
Hugo Motta, do Republicanos-PB, assumiu a presidência da Câmara recentemente e tem se posicionado como articulador entre Executivo e Legislativo.
A redução da jornada é tema recorrente no debate nacional. Em 2022, uma proposta de 40 horas semanais foi aprovada na Câmara, mas emperrou no Senado.
Agora, o foco é especificamente na escala 6x1, criticada por sindicatos por violar limites constitucionais de repouso semanal remunerado.
O encontro de Lula e Motta pode definir o ritmo da tramitação. Com urgência, o PL ganha prioridade, mas enfrenta resistência de setores produtivos.
Analistas políticos veem no diálogo uma tentativa de Lula de construir apoio na Câmara, essencial para a aprovação da pauta trabalhista.
O Timon Diário acompanha os desdobramentos dessa articulação que pode alterar rotinas de milhões de trabalhadores brasileiros.
