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Publicado há cerca de 19 horas · Brasil
O setor de turismo e alimentação no Brasil entra em alerta com a perspectiva do fim da escala 6x1, regime de trabalho em que o empregado folga um dia após seis dias consecutivos de labor. Hotéis, bares e restaurantes, que operam ininterruptamente sete dias por semana, veem na medida uma ameaça à viabilidade econômica, especialmente sem negociações entre patrões e trabalhadores.
Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hotéis, Restaurantes, Bares e Afins (FBHA), declarou que implementar o fim da escala 6x1 sem diálogo prévio é 'praticamente impossível'. A afirmação, destacada pelo portal Acorda Cidade, reflete a preocupação de entidades do setor com a rigidez de uma mudança imposta por lei.
A FBHA e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) posicionam-se contra alterações compulsórias na jornada, defendendo que eventuais ajustes sejam feitos por meio de convenções coletivas. Isso permitiria adaptações personalizadas às demandas de cada operação, preservando a continuidade dos serviços.
O governo Lula anunciou a intenção de enviar ao Congresso um projeto de lei em regime de urgência para acabar com a escala 6x1, conforme noticiado pela Folha de S.Paulo. A medida visa priorizar a saúde e o descanso dos trabalhadores, mas ignora, segundo os empresários, as particularidades do turismo e da alimentação.
Nesta segunda-feira, 14 de abril de 2026, o presidente Lula marcou um almoço com o deputado Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, para discutir o projeto antes de seu envio à Casa, segundo o G1. O encontro ocorre em meio a divergências sobre a tramitação legislativa da proposta.
Hugo Motta prioriza a análise de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema, com conclusão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ainda em abril e possível votação em plenário em maio, conforme entrevista ao G1 Paraíba. O governo, por sua vez, prefere o PL para agilizar o processo.
A Abrasel alerta para impactos financeiros severos. O fim da 6x1 poderia elevar os custos operacionais em até 20% para bares e restaurantes, com repasse de 7% a 10% aos preços finais ao consumidor, de acordo com nota da entidade no site regional do Rio Grande do Sul.
A presidente da Abrasel, em entrevista à CNN Brasil, reforçou que os 'custos do fim da escala 6x1 são muito pesados', destacando o risco para micro e pequenas empresas, que dominam o setor e operam com margens apertadas.
O Portal Panrotas registrou a posição conjunta da FBHA e Abrasel contra a PEC que propõe o fim da escala, enfatizando a necessidade de diálogo para evitar prejuízos ao emprego e à competitividade.
Setores como hotéis demandam operação 24 horas por dia, sete dias por semana, para atender turistas e eventos. Sem a 6x1, argumentam os empresários, seria necessário contratar mais funcionários ou redistribuir jornadas de forma inviável.
A Acorda Cidade, em reportagem recente, sintetizou o alerta: o fim da escala sem negociação é 'praticamente impossível', ecoando as vozes do setor que cobram flexibilidade via acordos coletivos.
A divergência entre o PL do governo e a PEC da Câmara evidencia o embate entre urgência executiva e debate amplo no Legislativo. Enquanto o Planalto busca rapidez, Motta defende análise minuciosa para equilibrar direitos trabalhistas e realidade econômica.
Não há, até o momento, confirmação oficial do encontro Lula-Motta ou do envio imediato do projeto, mas a pauta ganha tração em Brasília nesta semana crucial.
Entidades patronais reiteram que mudanças na jornada devem respeitar a Constituição, que já permite negociações coletivas, evitando medidas que possam gerar demissões em massa no setor.
O debate sobre a 6x1 opõe a proteção ao trabalhador, bandeira do governo, aos argumentos econômicos do turismo e alimentação, que empregam milhões e sustentam economias locais.
Resta aguardar os desdobramentos do almoço de hoje e a posição final do Congresso para definir o futuro da escala no Brasil.
