Matéria
Publicado há cerca de 1 mês · Brasil
Uma nova denúncia contra uma hamburgueria em Ribeirão Preto (SP) veio à tona nesta segunda-feira (14), revelando que uma candidata de 23 anos recebeu exigência de usar 'calça legging mais marcando', o que a fez se sentir 'desrespeitada e invadida'. O caso, localizado na Avenida do Café, na zona Oeste da cidade, amplia a polêmica iniciada com uma oferta similar a uma adolescente de 17 anos.
A jovem de 23 anos relatou ter recebido mensagem do recrutador pedindo roupa que evidenciasse partes íntimas do corpo, com salário variando de R$ 90 a R$ 180 por seis horas de trabalho. 'Me senti desrespeitada e invadida', disse ela ao G1, destacando o constrangimento causado pela proposta.
Essa é a segunda acusação contra o mesmo estabelecimento em poucos dias. No último sábado (11), uma adolescente de 17 anos denunciou ter sido contatada para uma vaga inicial de R$ 1.300, elevada para R$ 1.700 com a condição de trabalhar de decote e calça legging marcando. A menor registrou boletim de ocorrência por importunação sexual no 3º Distrito Policial de Ribeirão Preto no dia 10 de abril.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) em São Paulo instaurou investigação contra a hamburgueria por possível trabalho infantil e conotação sexual nas propostas de emprego. A denúncia foi recebida no sábado (11/04/2026) e ainda não foi distribuída a um procurador, conforme confirmado pelo órgão.
O MPT repudiou publicamente qualquer atividade que submeta trabalhadores a exploração sexual, afirmando que o procedimento apurará irregularidades trabalhistas e possíveis violações de direitos humanos. A investigação está em fase inicial, sem conclusões até o momento.
Após a repercussão nas redes sociais, o perfil da hamburgueria foi desativado. O dono do estabelecimento reconheceu o erro em nota, pediu desculpas às candidatas e afirmou não ter tido intenção de ofender. Ele justificou que não notou a idade da adolescente de 17 anos na primeira denúncia.
A hamburgueria, cujo nome não foi revelado nas reportagens para preservar a investigação, fica na Avenida do Café, importante via comercial da zona Oeste de Ribeirão Preto. A área é conhecida por seu movimento de cafés e estabelecimentos gastronômicos, mas o caso expõe práticas questionáveis no recrutamento local.
Especialistas em direito do trabalho consultados pelo G1 alertam que exigências de vestimenta com conotação sexual podem configurar assédio moral e importunação sexual, sujeitas a multas e indenizações. O MPT pode aplicar sanções administrativas e encaminhar para ação civil pública se confirmadas as irregularidades.
A adolescente de 17 anos, em entrevista ao G1, descreveu o choque ao receber a mensagem alterando as condições da vaga. Inicialmente oferecida como atendimento padrão, a proposta incluiu bônus por 'atrair clientes' com roupa justa, o que motivou o registro policial imediato.
A candidata de 23 anos, por sua vez, ponderou recusar a vaga após o pedido explícito de 'calça legging marcando evidenciando partes íntimas'. Ela compartilhou prints das conversas, que viralizaram e impulsionaram a segunda onda de denúncias contra o negócio.
O caso ganhou destaque em portais como G1 e Metrópoles, que cruzaram as denúncias e destacaram a rapidez da reação do MPT. Até o momento, não há pronunciamento oficial da hamburgueria além das desculpas do proprietário, que prometeu rever processos seletivos.
Autoridades policiais de Ribeirão Preto confirmam que o boletim de ocorrência da menor está em análise, podendo evoluir para inquérito. O MPT, por sua vez, monitora o desenrolar para evitar práticas semelhantes em outros estabelecimentos da região.
Ribeirão Preto, com sua economia impulsionada por comércio e serviços, vê no episódio um alerta para o mercado de trabalho local. Especialistas recomendam que candidatas documentem propostas abusivas e denunciem imediatamente a órgãos competentes.
O desfecho da investigação do MPT será decisivo para punições, que podem incluir proibição de contratações irregulares e pagamento de danos morais. O caso reforça a necessidade de fiscalização em vagas anunciadas nas redes sociais, comuns em pequenos negócios.
Enquanto isso, as vítimas expressam alívio pela visibilidade midiática, que as empoderou a falar. 'Não esperava tanta repercussão, mas serve de lição', comentou a jovem de 23 anos, ecoando o sentimento da adolescente de 17 anos.
